
Por ROBERTO VIEIRA
Passos lentos e meditativos, o velho taxista se contrai ao sentar na cadeira de balanço.
Final de tarde no asilo em Recife:
"O Íbis era um timaço!"
Ante o sorriso disfarçado do jornalista, o velho retruca:
"Você não sabe de nada..."
O jornalista veio até ali falar de derrotas.
Dos 70 anos do pior time do mundo.
E, ao que parece, o pobre homem delira.
Mas não é delírio.
Na memória, o ancião relembra aquele jogo contra o Great Western.
Torneio Início de 1947.
Durval defende e estica a bola para Damata.
O cruzamento alcançou Zépequeno livre: Íbis 1 x 0.
Festa rubro negra nos Aflitos.
O jornalista conhece apenas o presente.
Os 1994 gols sofridos em 667 partidas.
As 504 derrotas.
Os 4 anos sem ver a cor da vitória.
Números, números, estatísticas.
Porém, como podem os números medir a paixão de quem torce?
Como podem os números explicar o Íbis?
Um velho recorte de jornal descansa na mesa.
O Íbis campeão.
No mesmo dia em que Ademir Menezes casava-se na Igreja da Candelária.
As fotos de Ademir e Celeste misturadas com as manchetes do pássaro preto.
Pior time do mundo?
O velho taxista fecha os olhos.
A imagem de uma cabeçada de Bodinho retornam a realidade.
5 x 4 no Sport.
Um gol de Vavá.
5 x 3 no Náutico.
Um lançamento de Rildo. Uma arrancada de Carlitos.
"O Íbis era um timaço!"
O enfermeiro chega para aplicar a medicação.
O jornalista vai embora, triste.
O único torcedor do velho Íbis dorme profundamente.
As manchetes do dia 15 de novembro repetem os números.
Frias.
Inválidas...
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