
Por ROBERTO VIEIRA
...Então pintei de azul os meus sapatos
por não poder de azul pintar as ruas...
O Náutico entrou em campo para enfrentar o azul.
Azul do Cruzeiro. Azul de Carlos Penna Filho.
Náutico que pintou de vermelho suas chuteiras,
por não poder de vermelho pintar as ruas...
E o Recife voltou no tempo, ao tempo,
em que Piazza e Dirceu Lopes desfilaram plenos
por entre os vermelhos e brancos de Ivan e Lula em 1967.
Eram tempos de fuzis e silêncios.
O Cruzeiro era o campeão do Brasil.
O Náutico era o Cruzeiro do Norte.
Pentacampeão. Cinco estrelas no peito.
Dois times repletos de poetas e poesia.
Perdidos no mar infinito azul da imaginação em Boa Viagem.
Hoje, Guilherme movia-se alexandrino.
Verso exato.
Solitário ante o verso branco nos Aflitos.
Quando Gilmar marcou 1 x 0. Vermelho sobre os vestidos e gravatas.
Mas Tostão reviveu na canhota de Wagner: 1 x 1.
Pênalti. Paradinha. Miruca?
André não é Raul Plassman. Não. Felipe. Náutico 2 x 1.
Bomba de Lala?
Não. Bomba de Felipe: 3 x 1.
Os torcedores, afogados se lembraram.
Que no excesso que havia de espaço na defesa da Raposa.
Pudesse haver de azul também cansaço.
Porém, Guilherme também marcou de pênalti: 3 x 2.
Será que o empate chegaria, inclemente?
Quando perdidos no azul nos contemplamos.
E vimos que entre nós nascia um norte.
Vertiginosamente vermelho: vermelho.
Pois Everaldo contemplou os Aflitos com seu gol: 4 x 2.
E Gilmar completou o 5 x 2.
O Recife azul do poeta Carlos Penna Filho, dorme vermelho.
Vermelho, branco.
Timbu.
A noite do Recife será.
Trinta mil copos de chopp!
[IMAGEM]
Lala de pênalti, 1967


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