15 de nov. de 2008




Por ROBERTO VIEIRA

...Então pintei de azul os meus sapatos

por não poder de azul pintar as ruas...

O Náutico entrou em campo para enfrentar o azul.

Azul do Cruzeiro. Azul de Carlos Penna Filho.

Náutico que pintou de vermelho suas chuteiras,

por não poder de vermelho pintar as ruas...

E o Recife voltou no tempo, ao tempo,

em que Piazza e Dirceu Lopes desfilaram plenos

por entre os vermelhos e brancos de Ivan e Lula em 1967.

Eram tempos de fuzis e silêncios.


O Cruzeiro era o campeão do Brasil.

O Náutico era o Cruzeiro do Norte.

Pentacampeão. Cinco estrelas no peito.

Dois times repletos de poetas e poesia.

Perdidos no mar infinito azul da imaginação em Boa Viagem.

Hoje, Guilherme movia-se alexandrino.

Verso exato.

Solitário ante o verso branco nos Aflitos.

Quando Gilmar marcou 1 x 0. Vermelho sobre os vestidos e gravatas.

Mas Tostão reviveu na canhota de Wagner: 1 x 1.

Pênalti. Paradinha. Miruca?

André não é Raul Plassman. Não. Felipe. Náutico 2 x 1.

Bomba de Lala?

Não. Bomba de Felipe: 3 x 1.

Os torcedores, afogados se lembraram.

Que no excesso que havia de espaço na defesa da Raposa.


Pudesse haver de azul também cansaço.

Porém, Guilherme também marcou de pênalti: 3 x 2.

Será que o empate chegaria, inclemente?

Quando perdidos no azul nos contemplamos.

E vimos que entre nós nascia um norte.

Vertiginosamente vermelho: vermelho.

Pois Everaldo contemplou os Aflitos com seu gol: 4 x 2.

E Gilmar completou o 5 x 2.

O Recife azul do poeta Carlos Penna Filho, dorme vermelho.

Vermelho, branco.

Timbu.

A noite do Recife será.

Trinta mil copos de chopp!


[IMAGEM]

Lala de pênalti, 1967



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