5 de nov. de 2008




Há 70 anos nascia o treinador argentino César Luís Menotti.

Menotti que bateu uma bolinha no Santos de Pelé.

Menotti que recebeu da ditadura argentina um comando em 1974:

Ser campeão do mundo em 1978.

A Argentina era um emaranhado de craques exilados, coturnos enfezados e montoneros revolucionários.

Tinha peronista de esquerda, direita e de centro.

Tinha até uma nova Evita.

Tinha também um moleque atrevido, um Di Stéfano de calça curta chamado Diego Maradona.

Contra tudo e contra todos, Menotti começou a desvencilhar o time argentino da cotovelada.

Do cuspe na cara.

Do alfinete de fralda.

Botando a bola no chão. E o jovem Maradona no banco.

Os militares observavam de longe:

“E Diego?”

Menotti se fingia de surdo.

Maradona assistiu a Copa na televisão preto e branco.

Os militares indagavam da garra:

“E o sangue?”

Menotti olhava para os céus.

Já havia sangue demais nas masmorras.

Montoneros e militares assumiram uma trégua durante a Copa.

Eles só iriam xingar César Luís Menotti.

E Menotti viu a Argentina correndo e vencendo a França e a Hungria.

Mas uma derrota frente à Itália sacudiu a Argentina pra cima dos irmãos de armas brasileiros.

Menotti não tinha Diego.

Mas Menotti tinha dois trunfos no bolso do terno.

Um atendia pelo nome de Mário Kempes.

Kempes que se danou a marcar gol em cima de gol até a final contra a Holanda.

O outro trunfo atendia pelo nome de Condor.

Anos depois, quando escreveu o autobiográfico ‘Como gané el mundial’, Menotti conta sua aventura em detalhes.

Só esquece de mencionar a inestimável mãozinha da imensa ave dos Andes.

Ave também avistada sobrevoando o Brasil nos anos 70.

Condor que ainda espera a sua faixa de campeão do mundo e um exemplar do livro autografado...





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