10 de nov. de 2008





Por ROBERTO VIEIRA

O Náutico há muito tempo deixou de ser um time brasileiro.

Se é que existe algum time brasileiro em Recife.

Os times pernambucanos que ganharam alguma coisa, ganharam com suor.

Muito suor.

Embora sempre seja necessária alguma classe na guerra.

O Náutico por seus dramas, suas tragédias, é digno de um tango.

Digno de Carlos Gardel.

Até frevo vira tango nos Aflitos.

Esse pensamento já me assalta a mente há algum tempo.

O Náutico jamais será um River Plate.

Dos velhos tempos.

Mas o Náutico tem a alma e as cores sofridas de um Estudiantes.

De um Independiente.

Times que vendem caro a derrota.

E que por isso mesmo conquistam triunfos impossíveis.

Imortais.

Hoje lembrei de um fato.

1975. Libertadores da América.

O Cruzeiro tinha um timaço.

Meu Deus!

Joãozinho. Palhinha. Nelinho.

Na segunda fase bateu fácil os dois times argentinos em casa.

E viajou certo da vitória para a tumultada Argentina montonera.

Podia perder as duas partidas por 2 x 0.

Mas sucumbiu ante a pressão em campo e nas arquibancadas.

Sucumbiu ante a raça portenha.

Contra a fina arte mineira de um Aleijadinho, apenas a paixão.

Apenas a vontade ferrenha de um time de heróis.

Um time que não conhece os limites do impossível.

Sábado, meus senhores, a Avenida Rosa e Silva muda de nome.

Sábado é dia de escrever história.

Dia de beber vinho.

Dia de escutar Mi Recife Querido!

Dia de cantar nas sofridas arquibancadas da Calle Rosa y Silva.

Dia de empurrar o time.

Dia de sermos argentinos.

Desde criancinhas.




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