Por ROBERTO VIEIRA
O Náutico há muito tempo deixou de ser um time brasileiro.
Se é que existe algum time brasileiro em Recife.
Os times pernambucanos que ganharam alguma coisa, ganharam com suor.
Muito suor.
Embora sempre seja necessária alguma classe na guerra.
O Náutico por seus dramas, suas tragédias, é digno de um tango.
Digno de Carlos Gardel.
Até frevo vira tango nos Aflitos.
Esse pensamento já me assalta a mente há algum tempo.
O Náutico jamais será um River Plate.
Dos velhos tempos.
Mas o Náutico tem a alma e as cores sofridas de um Estudiantes.
De um Independiente.
Times que vendem caro a derrota.
E que por isso mesmo conquistam triunfos impossíveis.
Imortais.
Hoje lembrei de um fato.
1975. Libertadores da América.
O Cruzeiro tinha um timaço.
Meu Deus!
Joãozinho. Palhinha. Nelinho.
Na segunda fase bateu fácil os dois times argentinos em casa.
E viajou certo da vitória para a tumultada Argentina montonera.
Podia perder as duas partidas por 2 x 0.
Mas sucumbiu ante a pressão em campo e nas arquibancadas.
Sucumbiu ante a raça portenha.
Contra a fina arte mineira de um Aleijadinho, apenas a paixão.
Apenas a vontade ferrenha de um time de heróis.
Um time que não conhece os limites do impossível.
Sábado, meus senhores, a Avenida Rosa e Silva muda de nome.
Sábado é dia de escrever história.
Dia de beber vinho.
Dia de escutar Mi Recife Querido!
Dia de cantar nas sofridas arquibancadas da Calle Rosa y Silva.
Dia de empurrar o time.
Dia de sermos argentinos.
Desde criancinhas.

0 comentários:
Postar um comentário
Comentários