27 de nov. de 2008






Por ROBERTO VIEIRA

26 de novembro de 2008.

A inesquecível Batalha dos Aflitos completa 3 anos.

Um amigo recomenda não lembrar. Dá azar.

Um dia depois, entretanto, vale a pena escrever algumas linhas.

O ser humano é feito de muitas derrotas e algumas vitórias.

Só quem se julga Deus, imagina o contrário.

E os clubes são feitos de carne, osso e paixão.

Embora, na rua, só tenha herói.

Ninguém sente medo.

Ninguém mente.

Ninguém foi passado pra trás.

Todo mundo é perfeito. Sabe tudo de bola.

Assim, imaginam-se os clubes.

Sempre campeões. Sempre fadados a vencer e vencer e vencer.

Mas é preciso recordar.

Pois a imagem dos Aflitos vazio e derrotado é uma inspiração.

Por que?

Porque um ano depois, os Aflitos estavam em festa.

O Náutico não é o maior clube do mundo.

Não precisa.

Ele só precisa ser o maior clube do mundo no coração dos seus torcedores.

Alguns destes torcedores precisam de vitórias.

Precisam de troféus.

Precisam do olhar invejoso dos rivais.

Mas quem realmente ama o Náutico.

Ou quem realmente ama seu clube, qualquer clube, sabe.

O amor, por si só, se basta...

As lágrimas do dia 26 de novembro são as mais belas do futebol alvirrubro.

Pois são lágrimas da mais pura paixão.

Meus amigos.

Mostrem-me um torcedor que nunca chorou.

Mostrem-me um torcedor que nunca perdeu.

E eu lhes mostrarei um ser humano profundamente infeliz.

Pois, meus amigos.

O grande paradoxo dessa vida persiste:

Só é feliz quem aprendeu a chorar.





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