8 de nov. de 2008




Por ROBERTO VIEIRA

Demorei pra comentar pois fiquei pensativo.

E muitas vezes é melhor calar.

Em 1989, Fernando Gabeira foi candidato a presidência.

Um candidato que chegou solitário ao Recife.

Ficou hospedado em uma pousada de Olinda.

E foi visitar a Casa de Passagem dos Meninos de Rua.

Fato inusitado.

Depois, Gabeira foi até o Centro de Artes e conversou com os estudantes.

(Eu estava sentado em um canto, já desconfiado dos políticos)

Conversou sobre ecologia.

Sobre medicina preventiva.

Conversou sobre a legalização da maconha.

Sobre o fechamento da Usina de Angra.

De longe, eu vi Gabeira partir.

Desde o fim dos sonhos com a esquerda eu assistia tudo de longe.

Soube depois que Gabeira encontrou Olinda imunda.

Greve dos garis.

Nunca concordei com sequestros.

Nunca fui apologista da violência.

Sempre fui Gandhi demais.

Boêmio antigo, sempre fui da turma do chopp.

Outros aditivos não faziam sentido.

Mas não posso negar que uma pousada em Olinda faz bem ao pensamento humano.

Não posso negar que sou contra Angra.

A favor da medicina preventiva.

E também não posso negar que um jornalista como Gabeira não nasce em árvores.

Gabeira que lembra muito meus grandes amigos sonhadores na faculdade.

Meus ideais de Sirkis e Galeano.

Fernando Gabeira perdeu a eleição no Rio.

Gabeira que em 1989 era o lanterna dos lanternas dos lanternas.

Gabeira que hoje tem um grande capital político.

Porém, defendendo as mesmas bandeiras.

A derrota de Gabeira na eleição fluminense, não foi uma derrota de Gabeira.

Foi apenas mais uma derrota do Rio de Janeiro.

Talvez seja melhor assim.

Sonhadores não carecem de poder.

Poetas, menestréis e cantadores já têm o poder de sonhar.

Podem sempre passear na Olinda dos seus devaneios.

Hospedados nas pousadas do pensamento.

O resto são migalhas do Rei de plantão...



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