6 de out. de 2008




Por ROBERTO VIEIRA

Votamos no Brasil desde a Colônia. Ao contrário do que possa parecer.

Temos a herança portuguesa do voto nos administradores das vilas e povoados.

Herança mais antiga que Pindorama.

No entanto, durante boa parte da nossa história recente, fomos proibidos de votar.

Com a duvidosa desculpa de que o povo não sabe votar.

Sentença corroborada por nosso Rei em 1977.

Rei que havia sido eleito Rei pelo próprio povo.

Talvez seja verdade.

Talvez o povo brasileiro não saiba escolher seus representantes.

No que estaria em boa companhia, juntamente com alemães e italianos na década de 20 e 30.

Ou mesmo os americanos da era Nixon e Bush.

Porque os políticos surpreendem quando chegam ao poder.

Como aquele centroavante perna-de-pau que começa a fazer gol em cima de gol.

Ou o craque que desaprende da noite pro dia.

Político é mais improvável que resultado de clássico.

Mesmo assim, é melhor o voto do povo. Voto direto.

Do que o voto indireto, na surdina, na sutileza das salas palacianas.

Voto de um só.

A democracia hoje é feijão com arroz. Democracia que já foi iguaria.

Quem sabe um dia, a democracia também chegue no esporte?

Último reduto dos atos institucionais.

Quem sabe, um dia?



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