Por ROBERTO VIEIRA
Desde os tempos do Santos de Pelé e Coutinho não se via tal paradoxo.
Um ataque arrasador e uma defesa caótica.
Pois era assim o Náutico no final dos anos 80.
Uma defesa atabalhoada.
Um ataque inesquecível.
O Náutico de Todos os Santos.
No dia 8 de outubro de 1989, surpresa. A defesa funcionou.
E o ataque fez o de sempre:
Gols, muitos gols.
A vítima da vez foi o Vitória.
O nome do jogo foi o extraordinário meia Augusto.
Augusto que sempre jogava melhor com Dona Aracy na platéia.
E nesse dia Dona Aracy aplaudiu o marido de pé.
O Náutico formou com Mauri; Levi, Vavá, Romildo e Júnior; Gena, Léo e Erasmo; Nivaldo, Marcão (Bizu) e Augusto.
Sob o comando do técnico Charles Muniz.
O Leão da Boa Terra alinhou Róbson; Jairo, Edinho, Carlinhos e Silva; Bigu, Alberto e Hugo; André, Júnior e Marquinhos.
O técnico era João Fernandes.
A arbitragem coube ao centenário Luís Carlos Félix.
Bola que rola, o Náutico pressiona o Vitória logo de saída.
Brincadeira de ataque e defesa.
Não demorou muito pra torcida comemorar.
Aos 8' Mestre Augusto passa o pé sobre a bola e toca por cobertura na saída de Róbson.
Genial.
Maligno. Augusto.
Náutico 1 x 0!
[IMAGEM] 1 x 0
O Náutico não se satisfaz com a vantagem. Faminto.
Augusto continua driblando. Infinito.
Passando o pé sobre a bola.
(E todo mundo pensa que Robinho inventou a pedalada!)
Augusto dribla mais um e serve, com açúcar e raiva pra Erasmo entre os beques.
Erasmo que recebe marcado por três.
(Mas o que são três marcadores para Erasmo?)
Erasmo percebe o goleiro em sua direção.
E toca.
Erasmo: 2 x 0!
[IMAGEM] 2 x 0
E onde estava Bizu, diriam os senhores?
Bizu estava no banco. Impaciente.
Recuperando-se de uma lesão.
Mas Charles Muniz convoca Bizu.
"Vai lá e faz o que tu sabe!"
E lá vai Bizu fazer gol.
Nivaldo domina. Rápido. A bola em seus pés colada.
No instante seguinte a bola segue obediente para a grande área.
Onde esperam os pés de Bizu.
Bizu que recebe sem ângulo.
Mas Bizu não precisa régua e compasso, nem dos novos baianos.
Bizu manda aquele abraço: 3 x 0!
E Augusto aplaude a obra-prima do mestre quântico.
[IMAGEM] 3 x 0
Faltava o gol do quarto mosqueteiro.
O gol do homem do gol mais rápido do Brasil.
Faltava Nivaldo.
E como em uma trama bem orquestrada por Dumas, Nivaldo surge.
Quem era ateu e viu milagres nos Aflitos como eu se ajoelha diante da lembrança.
A bola endereçada por Augusto chega sutil.
Nivaldo desvia por cima do arqueiro Róbson.
Ante o olhar desesperado e impotente de Edinho.
A pelota beija o recôncavo das redes.
Gol do Náutico de Todos os Santos: 4 x 0!
[IMAGEM] 4 x 0
Acabou?
Não.
Ainda resta tempo para um pênalti.
Pênalti para o Vitória.
Bigu ajeita a bola.
Mas atentem para o detalhe:
Bigu não é Bizu!
E Bigu bate forte. No canto.
Como um raio, Mauri voa para a bola e a desvia com a ponta dos dedos.
Lembrando 19 anos depois o eterno ataque de 1989, o coração descobre.
Como dizia o mano Caetano.
Mestre da terra do Vitória.
"O melhor, o tempo esconde, longe muito longe, mas bem dentro aqui..."
Nivaldo, Erasmo, Bizu e Augusto!
O Náutico de Todos os Santos!
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