1 de nov. de 2008



Por ROBERTO VIEIRA

Desde os tempos do Santos de Pelé e Coutinho não se via tal paradoxo.

Um ataque arrasador e uma defesa caótica.

Pois era assim o Náutico no final dos anos 80.

Uma defesa atabalhoada.

Um ataque inesquecível.

O Náutico de Todos os Santos.

No dia 8 de outubro de 1989, surpresa. A defesa funcionou.

E o ataque fez o de sempre:

Gols, muitos gols.

A vítima da vez foi o Vitória.

O nome do jogo foi o extraordinário meia Augusto.

Augusto que sempre jogava melhor com Dona Aracy na platéia.

E nesse dia Dona Aracy aplaudiu o marido de pé.

O Náutico formou com Mauri; Levi, Vavá, Romildo e Júnior; Gena, Léo e Erasmo; Nivaldo, Marcão (Bizu) e Augusto.

Sob o comando do técnico Charles Muniz.

O Leão da Boa Terra alinhou Róbson; Jairo, Edinho, Carlinhos e Silva; Bigu, Alberto e Hugo; André, Júnior e Marquinhos.

O técnico era João Fernandes.

A arbitragem coube ao centenário Luís Carlos Félix.

Bola que rola, o Náutico pressiona o Vitória logo de saída.

Brincadeira de ataque e defesa.

Não demorou muito pra torcida comemorar.

Aos 8' Mestre Augusto passa o pé sobre a bola e toca por cobertura na saída de Róbson.

Genial.

Maligno. Augusto.

Náutico 1 x 0!

[IMAGEM] 1 x 0

O Náutico não se satisfaz com a vantagem. Faminto.

Augusto continua driblando. Infinito.

Passando o pé sobre a bola.

(E todo mundo pensa que Robinho inventou a pedalada!)

Augusto dribla mais um e serve, com açúcar e raiva pra Erasmo entre os beques.

Erasmo que recebe marcado por três.

(Mas o que são três marcadores para Erasmo?)

Erasmo percebe o goleiro em sua direção.

E toca.

Erasmo: 2 x 0!

[IMAGEM] 2 x 0

E onde estava Bizu, diriam os senhores?

Bizu estava no banco. Impaciente.

Recuperando-se de uma lesão.

Mas Charles Muniz convoca Bizu.

"Vai lá e faz o que tu sabe!"

E lá vai Bizu fazer gol.

Nivaldo domina. Rápido. A bola em seus pés colada.

No instante seguinte a bola segue obediente para a grande área.

Onde esperam os pés de Bizu.

Bizu que recebe sem ângulo.

Mas Bizu não precisa régua e compasso, nem dos novos baianos.

Bizu manda aquele abraço: 3 x 0!

E Augusto aplaude a obra-prima do mestre quântico.

[IMAGEM] 3 x 0

Faltava o gol do quarto mosqueteiro.

O gol do homem do gol mais rápido do Brasil.

Faltava Nivaldo.

E como em uma trama bem orquestrada por Dumas, Nivaldo surge.

Quem era ateu e viu milagres nos Aflitos como eu se ajoelha diante da lembrança.

A bola endereçada por Augusto chega sutil.

Nivaldo desvia por cima do arqueiro Róbson.

Ante o olhar desesperado e impotente de Edinho.

A pelota beija o recôncavo das redes.

Gol do Náutico de Todos os Santos: 4 x 0!

[IMAGEM] 4 x 0

Acabou?

Não.

Ainda resta tempo para um pênalti.

Pênalti para o Vitória.

Bigu ajeita a bola.

Mas atentem para o detalhe:

Bigu não é Bizu!

E Bigu bate forte. No canto.

Como um raio, Mauri voa para a bola e a desvia com a ponta dos dedos.

Lembrando 19 anos depois o eterno ataque de 1989, o coração descobre.

Como dizia o mano Caetano.

Mestre da terra do Vitória.

"O melhor, o tempo esconde, longe muito longe, mas bem dentro aqui..."

Nivaldo, Erasmo, Bizu e Augusto!

O Náutico de Todos os Santos!



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