14 de out. de 2008



JULES RIMET E OBDULIO VARELA


Por ROBERTO VIEIRA


Nunca jogou bola.

Nunca marcou um gol.

Nunca tentou um drible.

Nunca fez uma grande defesa.

Mas tinha um defeito incorrígível:

Era um sonhador inveterado como seu xará e compatriota Júlio Verne.

Verne que dava volta ao mundo em 80 dias.

Revolucionário, quando fundou o Red Star abriu o clube aos ricos e aos pobres.

Quem sabe lembrando do seu pai, um humilde merceeiro?

Homem de paz, foi herói da Primeira Grande Guerra.

Assistiu incrédulo ao jogo de futebol entre soldados alemães e ingleses nas trincheiras da Terra de Ninguém.

Quando a guerra acabou, assumiu a Federação Francesa e, logo depois, a FIFA.

Sonhando desta vez com um mundo sem pólvora e sangue.

Um mundo onde os homens decidiriam suas diferenças na marca do pênalti.

Dos seus sonhos nasceu a Copa do Mundo.

Copa do Mundo que por suas mãos foi disputada pela primeira vez na distante Montevidéu.

Copa do Mundo que ganhou forma na taça esculpida em ouro por Abel Lefleur.

Amava a poesia. Detestava a política.

Para alguns, intransigente. Para o mundo, idealista.

Há 135 anos nascia Jules Rimet.

Um menino como o menino que resiste em cada um de nós, apaixonados por futebol.

Um menino que sonhava de cabelos grisalhos e olhos abertos com o futebol.

Em plena Terra do Nunca...


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