Por ROBERTO VIEIRA
[IMAGEM]
Eládio olhou em volta e sorriu.
O PTB lhe oferecia a política.
Cid Sampaio, o apoio.
Eládio olhou em volta e pensou que talvez fosse hora de mudar de gabinete.
Deixar Rosa e Silva.
Pensar um pouco em si mesmo.
A torcida andava impaciente.
O Náutico dominara a primeira metade dos anos 50, e mais nada.
Muitas vezes alguém admitia que o velho cacique estava ultrapassado.
Quem sabe a política?
Eládio abre os jornais. Incêndio no estádio do Noroeste de Bauru.
Em pleno jogo contra o São Paulo.
As imagens do estádio se consumindo em chamas levaram Eládio ao passado.
Ao incêndio consumindo a antiga sede alvirrubra.
Os seus olhos observando o sonho do Náutico desaparecendo.
O Clube sem teto.
Um clube que tinha apenas 3 títulos estaduais.
Um clube perdido no passado.
Eládio de Barros Carvalho lembrou da reconstrução.
Das pedras somando-se no tempo. Na nova sede.
Nos pedidos aos alvirrubros abastados.
Tijolos. Cimento. Paixão.
Eládio tocou as paredes do casarão de Rosa e Silva.
Casarão que era a sua segunda casa.
Ou seria a primeira?
Eládio pensou na prefeitura.
Pensou no PTB.
Pensou no amigo Cid Sampaio.
Pensou nos torcedores que o consideravam velho e ultrapassado.
E sorriu mais uma vez.
O cargo mais importante do mundo ele já tinha.
Presidente do Clube Náutico Capibaribe.
E mesmo se não fosse presidente, nada mais era tão importante quanto o clube.
E Eládio enviou um pequeno telegrama ao PTB no final de 1958:
"Caros amigos, por motivo de força maior meu lugar é nos Aflitos!"
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