31 de out. de 2008



Por ROBERTO VIEIRA

[IMAGEM]

Eládio olhou em volta e sorriu.

O PTB lhe oferecia a política.

Cid Sampaio, o apoio.

Eládio olhou em volta e pensou que talvez fosse hora de mudar de gabinete.

Deixar Rosa e Silva.

Pensar um pouco em si mesmo.

A torcida andava impaciente.

O Náutico dominara a primeira metade dos anos 50, e mais nada.

Muitas vezes alguém admitia que o velho cacique estava ultrapassado.

Quem sabe a política?

Eládio abre os jornais. Incêndio no estádio do Noroeste de Bauru.

Em pleno jogo contra o São Paulo.

As imagens do estádio se consumindo em chamas levaram Eládio ao passado.

Ao incêndio consumindo a antiga sede alvirrubra.

Os seus olhos observando o sonho do Náutico desaparecendo.

O Clube sem teto.

Um clube que tinha apenas 3 títulos estaduais.

Um clube perdido no passado.

Eládio de Barros Carvalho lembrou da reconstrução.

Das pedras somando-se no tempo. Na nova sede.

Nos pedidos aos alvirrubros abastados.

Tijolos. Cimento. Paixão.

Eládio tocou as paredes do casarão de Rosa e Silva.

Casarão que era a sua segunda casa.

Ou seria a primeira?

Eládio pensou na prefeitura.

Pensou no PTB.

Pensou no amigo Cid Sampaio.

Pensou nos torcedores que o consideravam velho e ultrapassado.

E sorriu mais uma vez.

O cargo mais importante do mundo ele já tinha.

Presidente do Clube Náutico Capibaribe.

E mesmo se não fosse presidente, nada mais era tão importante quanto o clube.

E Eládio enviou um pequeno telegrama ao PTB no final de 1958:

"Caros amigos, por motivo de força maior meu lugar é nos Aflitos!"



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