
Por ROBERTO VIEIRA
Em outubro de 1929 nascia Lev Iashin.
Em outubro de 1929 nascia também a Grande Depressão.
Depressão que traria fome e guerra ao mundo.
Estado Novo e Holocausto.
A Itália fascista emergeria da Depressão como bicampeã mundial de futebol.
Comprando falsos oriundi na América do Sul a preço de banana.
A Alemanha nazista promoveria uma Olimpíada surreal. Nas cinzas da república espanhola.
O mundo e o esporte mudaram depois do outubro negro.
Quatro anos depois da quebra da Bolda de Nova York em 1929, chegava o profissionalismo ao país do futebol.
Para que nossa diáspora fosse breve e indolor.
Em outubro de 2008 as Bolsas de Valores ao redor do mundo quebram novamente.
Enquanto alguns de nossos dirigentes esportivos dizem que não há problema.
Somos um país exportador de matéria-prima.
Mas como não há problema se a Premier League tem uma dívida de 2.5 bilhões de libras?
Premier League que pagou fortunas por Felipão, Robinho e Deco?
Como não há problema se a Copa do Mundo da África do Sul e do Brasil depende de financiamento público e privado?
Como não há problema se os campos de golfe na Europa estão vazios?
Se a Fórmula 1 aperta os cintos?
Se o projeto da Vila Olímpica de Londres 2012 sofreu um corte de 500 milhões de dólares nas suas verbas?
Se o Liverpool cancelou as obras do seu novo estádio?
Se nossos clubes dependem da venda de jogadores para fechar seu balanço?
Se ninguém mais vai pagar 20 milhões de dólares por um Zé Ninguém?
Os contratos atuais são falácias, bolhas, especulações.
Senhores torcedores, preparem o seu coração.
Os próximos anos no esporte serão de pires na mão.
Patrocinadores distantes, torcedores cortejados pelos clubes.
Adeus chuteiras de diamantes, tacos de prata, raquetes de rubi.
Quem sabe não está perto o dia em que cumpriremos uma profecia.
Profecia feita por João Saldanha em 1975 para a Revista Placar na Ilha de Patmos:
"No futuro, seremos todos amadores..."
0 comentários:
Postar um comentário
Comentários