
Por ROBERTO VIEIRA
Milhões de brasileiros cresceram adorando a seleção brasileira.
Mais que amor, o verde-amarelo era um dogma.
Uma profissão de fé.
Uma lavagem cerebral.
Repetida nas salas de aula como o décimo primeiro mandamento:
Brasil: Ame-o ou deixe-o!
Embora pudesse ser traduzido como Brasil: Ame-o ou desapareça!
Felizmente era impossível deixar de amar o futebol de Pelé e Tostão.
Um futebol que era pura arte em meio à repressão.
Um Portinari no DOI-CODI.
Porém, os anos se passaram e o que era Portinari foi se tornando rabisco.
E um rabisco vendido como se fosse um Portinari.
Seleção só nas Eliminatórias, pois é obrigatório.
Caso contrário, a seleção prefere exibir seus atributos em gramados europeus, em tapetes japoneses.
A nossa namorada de infância tornou-se uma seleção de programa.
Imagens do Maracanã lotado tornaram-se peças de museu.
O dogma morreu.
Morreu o duplipensar.
Hoje, o desamor não implica em passaporte.
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