15 de out. de 2008





Por ROBERTO VIEIRA


Milhões de brasileiros cresceram adorando a seleção brasileira.

Mais que amor, o verde-amarelo era um dogma.

Uma profissão de fé.

Uma lavagem cerebral.

Repetida nas salas de aula como o décimo primeiro mandamento:

Brasil: Ame-o ou deixe-o!

Embora pudesse ser traduzido como Brasil: Ame-o ou desapareça!

Felizmente era impossível deixar de amar o futebol de Pelé e Tostão.

Um futebol que era pura arte em meio à repressão.

Um Portinari no DOI-CODI.

Porém, os anos se passaram e o que era Portinari foi se tornando rabisco.

E um rabisco vendido como se fosse um Portinari.

Seleção só nas Eliminatórias, pois é obrigatório.

Caso contrário, a seleção prefere exibir seus atributos em gramados europeus, em tapetes japoneses.

A nossa namorada de infância tornou-se uma seleção de programa.

Imagens do Maracanã lotado tornaram-se peças de museu.

O dogma morreu.

Morreu o duplipensar.

Hoje, o desamor não implica em passaporte.



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