28 de out. de 2008



[imagem]

Bizu e o jovem Lúcio Surubim


Por ROBERTO VIEIRA

Taffarel já era o substituto de Gilmar na camisa 1 da seleção brasileira.

Desde a década de 60, nenhum goleiro havia conseguido fazer esquecer o arqueiro santista bicampeão do mundo.

Até a chegada de Cláudio Taffarel.

Do outro lado estava Erasmo e o melhor ataque do Brasil.

O Náutico precisava da vitória para se classificar a segunda fase do Brasileiro.

Após virar espetacularmente sobre o galo mineiro quatro dias antes.

22 de outubro de 1989. Beira-Rio.

O Náutico alinha Mauri; Jorginho, Vavá, Freitas e Júnior; Gena, Erasmo e Léo (Lucio Surubim); Nivaldo (Aroldo), Bizu e Augusto.

O técnico era o mesmo Paulo Cesar Carpengiani que comandara o Internacional no título brasileiro de 75 ao lado de Falcão.

O Internacional formou com Taffarel; Chiquinho, Nenê, Norton e Jaquet; Norberto, Luvanor (Edu), Marquinhos (Dacroce) e Zé Carlos; Nelson e Roberto Carlos.

O técnico era Bráulio, meio campista dono do Internacional antes da chegada de Falcão.

Em um jogo no qual a vitória era obrigatória não havia tempo a perder.

O Náutico avançou para cima do Internacional e Erasmo estava simplesmente impossível.

Várias vezes ele venceu a marcação e deixou Bizu, Nivaldo e Augusto em condições de marcar.

Uma, duas, três vezes Taffarel salvou.

Mas de repente, numa brincadeira de Júnior, Chiquinho rouba a bola e quando já corria pra comemorar o gol, o Beira-Rio vê Mauri salvar espetacularmente.

O Rio Grande aprende que Pernambuco também tem goleiro bom, tchê!

O 0x0 não interessa, Paulo César dá uma bronca nas vestiárias.

Se o time havia feito dois gols em três minutos no Atlético, ganhar do colorado era fácil.

Oito minutos do segundo tempo.

O sol brilha no Guaíba.

Augusto domina a bola e se livra do marcador passando o pé sobre a bola.

Toca pra Erasmo.

Nas cadeiras Luís Fernando Veríssimo pressente o pior.

Erasmo domina cercado por dois. Dribla Norton.

Entra na área. O minuano sopra no paralelo 30.

Taffarel sai desesperado para fechar o ângulo.

No segundo seguinte a bola desliza mansamente para as redes.

A 3779 km de distancia o Bonzão sorri: 1x0!

O Internacional se desespera e parte para cima.

Então aos 23 minutos o lance mais bonito daquele final de ano.

Erasmo dribla um, dois, três, quatro, cinco adversários e chuta com Taffarel batido.

A bola infiel passa tirando tinta da trave.

O Internacional tenta atacar, porém não consegue.

Todas as vezes que a bola cai nos pés de Erasmo é perigo de gol.

Os deuses do futebol, entretanto, insistem no 1x0.

Porto Alegre teve um verão vermelho e branco.

Porém, o seu grito de guerra foi N-Á-U-T-I-C-O!



0 comentários:

Postar um comentário

Comentários