
Por ROBERTO VIEIRA
Deodoro, Floriano e Prudente de Morais eram amigos do pai de Charles Miller. Foi o mais perto que chegaram de um campo de futebol. Campos Sales era o nome da rua onde ficava o campo do Ameriquinha do Rio. Lá o Fluminense foi batizado de pó de arroz. Seleção brasileira só no governo de Hermes da Fonseca. Hermes da Fonseca que recebeu os jogadores brasileiros vitoriosos na Argentina. Com direito a chá das cinco.
Delfim Moreira comemorou o título sul americano nas Laranjeiras. Recebeu de presente a camisa com a qual Friendereich marcou o gol da vitória sobre o Uruguai. Epitácio Pessoa chegou atrasado para o título de 1919, mas comemorou discretamente a conquista de 1922. Imaginou se uma derrota poderia causar uma nova revolta no Forte de Copacabana.
Washington Luís fechou o tempo com Feitiço.
Getúlio e o Expresso da Vitória lotavam São Januário. Gaspar Dutra não conseguia entender o 16 de julho. Mas resistiu a tentação de proibir o jogo no Brasil. JK recebeu os campeões mundiais e ouvia as partidas pelo rádio. Sempre otimista, sempre América-MG. Mineiramente.
Jango foi bicampeão. Trocou presentes com Pelé e Gilmar antes da Copa de 1962. Mas foi deposto com a taça na mão.
Castello Branco prometeu uma CPI para investigar o fracasso na Inglaterra. Costa e Silva esbravejou com a excursão de 68 e telefonou para Havelange. Tolerava Saldanha por uma questão de sobrevivência.
Médici foi o primeiro presidente brasileiro a gostar de futebol. Gremista e admirador de Dario. Mandava no seu ministério e queria dar uns pitacos no ministério de João. Acertou o resultado da final da Copa de 1970. Foi fotografado dando cabeçadas numa bola de futebol. Entregou a taça da Minicopa sendo ovacionado por um Maracanã lotado. Sem vaias. Foi engolido pelo tempo e pela laranja mecânica.
Geisel só conhecia a regra do impedimento. Mandou um telegrama de congratulações ao colega Videla. Figueiredo gostava mesmo era de cavalo. Porém, quando a seleção de Telê perdeu na Espanha, mandou fazer as malas. Era uma questão de tempo.
Collor e Lazaroni. Dois nomes. Uma época. Itamar Franco e Romário. Dois nomes. Uma ressureição.
FHC perdeu no auge e ganhou no ostracismo. Bastidores do poder. Mas futebol pra FHC é apenas uma tese sociológica.
Luís Inácio é o segundo presidente brasileiro que genuinamente ama o futebol. O primeiro eleito pelo voto direto. Não deixa de ser uma ironia que seus discursos sejam usados pela seleção em vídeos motivacionais.
Como o adversário a ser batido.
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