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3 de set. de 2008

O SONHO DE DUNGA



Por ROBERTO VIEIRA

Foi tudo muito rápido. E estranho.

Olhando o passado, tudo parece irrelevante. Mas em 2008...

O Brasil de Dunga ia jogar sua cartada final contra o Chile em Santiago.

Valdívia afirmava que os chilenos iam ganhar de 4 x 0. Coisa de bruxo.

O país já discutia a volta de Luxemburgo, ou a estréia de Muricy.

Tinha gremista que até citava Celso Roth.

Pela primeira vez a seleção escalou uma dupla de irmãos na zaga: Luisão e Alex Silva.

Coisa dos tempos do amadorismo.

Quem é vivo há de lembrar.

Dunga acordou de bom humor. Sorriu para os jornalistas. E mudou.

Sabe-se lá por que cargas d'água.

Falou que tinha tido um sonho, uma visão. Dunga, o novo Conselheiro.

Juntou os jogadores no centro do gramado da Granja e disse que dali pra frente, tudo ia ser diferente.

E o Brasil entrou em campo no sete de setembro em Santiago pra fazer história.

Ofensivo.

O placar foi de 4 x 0 como previu o bruxo. Mas 4 x 0 para o Brasil. Quatro gols de Ronaldinho.

O último com direito a beijo na bola foi antológico.

Os jogadores corriam pro banco a cada gol e abraçavam o mestre e guru gaúcho.

O complemento das eliminatórias foi um passeio. Comparável ao passeio de 1969 com Saldanha.

O resto é história. Vencemos todo mundo na África do Sul até a semifinal. Invictos.

A derrota por 1 x 0 na semifinal para a Turquia de Zico entretanto devolveu o mau humor de Dunga.

Turquia que jogou fechada na retranca como nos velhos tempos de Dunga.

Brasil que jogou no ataque como nos velhos tempos de Zico.

Foi tudo muito rápido. E estranho.

Olhando o passado, tudo parece irrelevante. Mas em 2008...



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