6 de set. de 2008





Por ROBERTO VIEIRA

Terra do futebol ofensivo, o maior pecado no futebol tupiniquim é o 0 x 0.


"O tempo passa inclemente no Estádio Nacional do Chile. Um golzinho, pelo amor de Deus!

Dunga olha para o seu relógio, 31' do primeiro tempo e nada. Dunga iguala o recorde negativo da seleção brasileira na década de 20. 328 minutos sem marcar um mísero golzinho na Argentina e no Uruguai. Brasil que só foi tirar o zero do marcador no dia de Nossa Senhora da Aparecida. Em cima do frágil Paraguai.

O Chile pressiona. Quem sabe um contra-ataque? Que nada! Dunga consulta o seu relógio, 41' do primeiro tempo e ele iguala o recorde negativo de Leão e Felipão em 2001. 338 minutos sem marcar um reles golzinho na Austrália, no Uruguai e no México. Brasil que só foi tirar o zero do marcador contra os peruanos.

Sessenta segundos. O ponteiro do relógio gira lentamente em Santiago. A bola cai nos pés de Ronadlinho que chuta. A bola descreve um arco e... Nada!

O Brasil de Dunga bate o recorde que pertencia a Lazaroni e Falcão. Mais de 339 minutos sem marcar gol.

O gandula devolve a bola ao campo. A seleção brasileira segue até o final do espetáculo quebrando recordes. O jogo termina 0 x 0.

Perguntado sobre a fragilidade do nosso ataque, o técnico Dunga rasga elogios a sua defesa. No entanto, a contagem regressiva sempre é fatal no comando da seleção brasileira.

Em 1920 não poupou sequer Oswaldo Gomes. O primeiro jogador a marcar um gol pela seleção brasileira de futebol. O recordista de títulos cariocas pelo Fluminense foi convidado gentilmente a ceder seu lugar a Ferreira Viana Netto.

Era um outro tempo, e lá foi Oswaldo Gomes começar uma nova vida, virando cartola. Presidente da CBD.

Passar em branco contra o Chile significa o adeus para o técnico Dunga. Mas desta vez um adeus sem upgrade.

Sem passaporte para o cargo de Ricardo Teixeira".


Na foto, detalhe do célebre jogo Brasil 2 x 0 Exeter City em 1914. Primeiro jogo da seleção. Primeiro gol de Oswaldo Gomes, futuro técnico desafortunado do selecionado.



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