10 de set. de 2008




Por ROBERTO VIEIRA

Anos atrás, o escritor Júlio Chiavenato escreveu sobre as mazelas do país da mítica Potosí.

Bolívia: O país com a pólvora na boca.

O país dos mil golpes de estado.

Mas poderia escrever sobre a Bolívia das mil goleadas fora de casa.

E das zebras inesperadas na altitude.

Os golpes continuam os mesmos, ainda agora mandaram o embaixador americano pra casa.

Metade do país quer ser outro país.

Porém, o Engenhão hoje se parecia com outro clássico do Chiavenato.

Parecia com o início da Guerra do Paraguai.

Um Brasil apático e desbaratado.

De elites esparsas nas arquibancadas. Incapazes de reação.

Um Brasil iletrado e desarmado em campo.

Um Brasil adormecido. Entorpecido na sua dependência externa de jogadores.

Não é possível comparar grandezas diferentes, o Brasil é um gigante, a Bolívia um menino agonizante.

Mas depois do jogo de hoje, com este estranho 0 x 0 contra dez valentes bolivianos ecoando na história.

É o time do Brasil que dorme com a pólvora na boca.

É a Bolívia quem comemora a vitória na guerra...





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