Por ROBERTO VIEIRA
Nada une mais o ser humano que um inimigo em comum.
Churchill e Stalin que o digam.
Aliás, qualquer psicólogo de beira de escada sabe disso.
Um ser humano acuado, reage. Também não é nenhuma novidade.
Todo jogador de futebol tem um pouco de artista e um pouco de soldado.
O lado artista busca o aplauso, a fama. O individual.
O lado soldado busca a vitória, o escalpo do inimigo. A fraternidade.
Como o futebol é um esporte coletivo, o artista brilha, entretanto, apenas o soldado vence.
As críticas da mídia e dos políticos à seleção brasileira foram dirigidas aos malabarismos. Ao pince-nez.
Mas atingiram o exército.
Diante de um inimigo em comum, o técnico Dunga usou o discurso de qualquer chefe guerrilheiro.
O discurso do um por todos e todos por um.
Discurso batido, passado na idade, requentado.
Porém um discurso que ganha jogo. Principalmente quando se tem time.
Foi o discurso de Obdulio Varela em 50. O mesmo discurso de Fritz Walter em 54. O discurso de Felipão em 2002.
A seleção brasileira ganhou apenas um título quando era unanimidade, em 1962.
Os demais foram conquistados debaixo de vaias e descrença, quando era necessário vencer o adversário e a própria torcida.
Resta saber se as feras de Dunga vão permanecer feras, ou voltarão a ser apenas belas.

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