16 de set. de 2008





As portas da Fortaleza de Santa Cruz em Niterói se abrem.

O homem observa o dia que se vai, surpreso.

Faz uma hora que lhe informaram do habeas-corpus.

Ele que já não lia jornais, nem revistas, nem despachos.

Uma lancha espera o inesperado passageiro. E o transporta para a Fortaleza de São João da Urca.

O poder é um estranho senhor que se desfaz no destino.

O coronel Florimar Campelo transporta o homem para a praia de Botafogo.

Ele sai do carro no anoitecer. Entra no prédio. Dezenove horas.

Toca a campainha do seu tio Antônio:

"Boa noite!"

As lágrimas correm nos olhos da família.

Trezentos e setenta e seis dias longe da liberdade.

Libertado no dia de Tiradentes.

Alguém pergunta sobre a prisão.

E Miguel murmura que depois dos maus tratos na Companhia de Guardas do Recife nada mais o pode ferir.

Alguns jornalistas aparecem.

As respostas são evasivas.

Miguel procura o quarto, a cama, o silêncio.

Abraçado com frágil sensação de que os militares não iriam tolerar a primavera em abril.

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