
O homem observa o dia que se vai, surpreso.
Faz uma hora que lhe informaram do habeas-corpus.
Ele que já não lia jornais, nem revistas, nem despachos.
Uma lancha espera o inesperado passageiro. E o transporta para a Fortaleza de São João da Urca.
O poder é um estranho senhor que se desfaz no destino.
O coronel Florimar Campelo transporta o homem para a praia de Botafogo.
Ele sai do carro no anoitecer. Entra no prédio. Dezenove horas.
Toca a campainha do seu tio Antônio:
"Boa noite!"
As lágrimas correm nos olhos da família.
Trezentos e setenta e seis dias longe da liberdade.
Libertado no dia de Tiradentes.
Alguém pergunta sobre a prisão.
E Miguel murmura que depois dos maus tratos na Companhia de Guardas do Recife nada mais o pode ferir.
Alguns jornalistas aparecem.
As respostas são evasivas.
Miguel procura o quarto, a cama, o silêncio.
Abraçado com frágil sensação de que os militares não iriam tolerar a primavera em abril.
O coronel Florimar Campelo transporta o homem para a praia de Botafogo.
Ele sai do carro no anoitecer. Entra no prédio. Dezenove horas.
Toca a campainha do seu tio Antônio:
"Boa noite!"
As lágrimas correm nos olhos da família.
Trezentos e setenta e seis dias longe da liberdade.
Libertado no dia de Tiradentes.
Alguém pergunta sobre a prisão.
E Miguel murmura que depois dos maus tratos na Companhia de Guardas do Recife nada mais o pode ferir.
Alguns jornalistas aparecem.
As respostas são evasivas.
Miguel procura o quarto, a cama, o silêncio.
Abraçado com frágil sensação de que os militares não iriam tolerar a primavera em abril.
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