
Por ROBERTO VIEIRA
Poderia não usar o termo paraíba no título do artigo.
Paraíba que é adjetivo pejorativo neste Brasil de Brasis.
Mas ser chamado de paraíba deveria ser motivo de orgulho. Nunca vergonha.
Como sempre diz minha mãe, orgulhosa paraibana de Mogeiro. Terra de Sivuca.
Orgulho por saber sorrir quando a dor é infinita. Quando o adjetivo fere e sangra.
Mas hoje é um dia diferente para todos os paraíbas.
Esqueça Fittipaldi.
Senna.
Esqueça Pace e Piquet. Todos óbvios.
O improvável piloto brasileiro de um milhão de dólares é Valdeno Brito.
Valdeno Brito da gloriosa Campina Grande, Paraíba.
Valdeno que ergueu a bandeira do NEGO de sua terra.
NEGO solitário na república velha brasileira. NEGO de João Pessoa.
Quem imaginaria um piloto de ponta na terra de Augusto dos Anjos? No berço de Ariano Suassuna?
Ninguém em sã consciência.
A não ser o próprio Valdeno, volta mais rápida em cima de volta mais rápida antes do reabastecimento.
Como um Schumacher no auto (mobilismo) da Compadecida nordestino.
Pois se no princípio da prova Valdeno encenou a farsa da boa preguiça.
No final ele correu nos braços do Eu.
Chiclete com banana a duzentos quilômetros por hora.
Único representante na corrida do milhão da região mais folclórica e carente do país.
Herói motorizado em uma terra de distâncias e multidões descalças.
Stock car ao invés de pau de arara.
Valdeno não muda a realidade com a sua conquista.
Mas traz uma centelha de velocidade a quem vive na mesmice do sertão.
O sorriso da surpresa. A frigideira com macaxeira e charque na batucada brasileira.
O a, e, i, o, u, ipsilone...

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