
Por ROBERTO VIEIRA
Quis o destino, a milésima medalha de ouro dos EUA em Olimpíada viesse no futebol. Vencendo a seleção feminina do Brasil por 1 x 0.
Dona Geraldina ao ler a notícia filosofou que 'uns com tanto e outros com tão pouco...'
Mas não deixa de ser irônico que o futebol, esse centenário senhor de barba e bigode, tenha encontrado um lar entre as mulheres americanas. E que sejam justamente essas mulheres as responsáveis pela simbólica conquista.
Muitas delas cresceram no esteira do impulso dado ao esporte com a ida de Pelé para o Cosmos em 1975. Pelé, dono e senhor absoluto do milésimo gol no Maracanã em 1969.
Também por estranha ironia e destino, o futebol se nega a conceder uma medalha de ouro ao Brasil. Uma que seja. Como se Gérson, Falcão e Júnior fossem indignos do Olimpo.
Ontem o Rei Pelé deu a sua explicação para o nosso jejum de medalhas de ouro no futebol. Segundo o Rei, faltava Ele na seleção brasileira. Pelé que não jogou na Olimpíada de 1952 porque usava fraldas e não foi em 1956 porque já recebia dinheiro pra fazer gols.
Do mesmo modo, Garrincha, Didi e Leônidas não foram. Tinham que ganhar dinheiro pra se afastar da pobreza. E não vestiam farda e coturno como o Major Galopante.
Ousando discordar do Rei, o Brasil não ganha uma medalha de ouro no futebol masculino por indiferença.O jogador brasileiro prefere ser campeão paulista ou carioca a vencer uma Olimpíada. Olimpíada que pra ele é brinquedo de menino rico. Sonho de barão francês.
Já o futebol feminino não ganha uma medalha de ouro porque, no fundo no fundo, o brasileiro ainda acha que lugar de mulher é na beira do fogão, tomando conta de menino pequeno.
Pra que patrocínio? Pra que Liga Nacional?
E o Brasil segue sendo para muitos o país do futebol. O país do milésimo gol. O país de um só esporte.
Embora haja muito mais Cielos, Ademares e Maggis do que supõe a nossa vã filosofia balipodista...

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