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A riqueza pode surgir num instante.
Já a miséria é obra de séculos.
A crise atual do Santa Cruz foi se construindo aos poucos. Lentamente. Conta gotas.
Santa Cruz que amargou dois longos jejuns nas décadas de 50 e 60.
Santa Cruz que ressurgiu forte em 1969, dono absoluto dos anos 70 em nosso futebol.
Unido. Colegiado. Mundão do Arruda.
O Santa Cruz começou a ruir no dia 5 de abril de 1981.
Lembra?
O Santa Cruz havia vencido o Bahia por 4 x 0 na Ilha do Retiro pela terceira fase do Brasileiro.
E viajou para Soteropólis podendo perder pelos mesmos 4 x 0.
Dario, centroavante tricolor, chegou na Bahia com suas frases de efeito:
"Baiano só faz cinco quando acerta na quina!"
Pois é. Léo Oliveira marcou aos 4' do primeiro tempo: Bahia 1 x 0.
Gilson Nunes ampliou aos 13'. Forte e rasteiro no canto de Wendell.
O Santa se segura, mas aos 43' do primeiro tempo Léo cruza e Dirceu cumprimenta: 3 x 0.
Pânico em Pernambuco. A TV transmitia a partida naquele domingo.
22' do segundo tempo e Gilson entra driblando e toca para Toninho Taino: 4 x 0.
O 4 x 0 não interessava ao tricolor baiano. E num chutão aos 41' a defesa do Santa Cruz faz linha burra.
Burra mesmo. Léo Oliveira entra livre e chuta. Wendell defende, mas no rebote Taino completa a goleada: 5 x
O Brasil inteiro faz chacota do Terror do Nordeste.
Pouco tempo depois, uma outra saraivada para o Uberaba: 5 x 0.
Nos últimos 27 anos, o Santa Cruz ganhou 6 títulos estaduais, esteve algumas vezes na Série A.
Dirigentes prometeram mundos sem fundos ao tricolor do Nordeste.
Ganhavam um título aqui, outro ali, e deixavam as dívidas, os papagaios para os sucessores.
Mas a crise teve começo naquele domingo distante em Salvador.
Macumba dos orixás soteropolitandos aos pernambucanos que se imaginavam deuses.
Gílson Gênio, não Gílson Nunes. Abs
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