
Tristão de Athayde
O admirável Tristão de Athayde escreve o artigo Lição Olympica.
Publicado no Diario de Pernambuco do dia 21 de agosto de 1936.
Tristão que era um pirata indiano e também pseudônimo de Alceu Amoroso Lima.
Tristão começa informando que nosso fracasso no quadro de medalhas não vem da nossa latinidade. Que bom!
Pois a Itália foi a quarta colocada.
Então, enaltece o regime de Mussolini. Segundo Tristão 'um regime tão caluniado em nossa imprensa e Parlamento', embora seja um regime que 'pôs ordem na península'.
Depois ele discute nossa fragilidade étnica, ignorando o recém lançado Casa Grande e Senzala. Os males do esporte agora são oriundos da raça.
O clima inóspito também desfavorece a formação de campeões olímpicos.
Por fim, o estigma. A proverbial falta de disciplina da nossa gente. Pois o desporto exige uma espécie de ascetismo natural.
As palavras de Tristão de Athayde são um reflexo da época.
Intelectual que ergueu sua voz solitária no episódio do sequestro de Rubens Paiva na ditadura militar, Tristão não era fascista. Era católico de rezar o terço.
Seu rápido namoro com o integralismo lembra o flerte de Dom Hélder com o movimento. Tristão imaginava na ordem o segredo do progresso. Positivista.
Porém, ao finalizar o texto conclamando por uma inatingível pureza moral, Tristão resvala para o lado obscuro da direita.
Tudo no espírito de um tempo em que não se buscavam os motivos reais dos fracassos nacionais.
Pois imaginava-se que as perguntas já tinham resposta.
0 comentários:
Postar um comentário
Comentários