2 de jul. de 2008




Sempre pesquiso na Fundação Joaquim Nabuco e no Arquivo Público Estadual.

Em ambos os lugares os funcionários são atenciosos e conscientes do papel que representam na preservação do patrimônio histórico do estado.

Nas duas últimas semanas tentei pesquisar uma coleção na Biblioteca do Estado do parque Treze de Maio, a quarta biblioteca mais antiga do Brasil.

Para minha tristeza e decepção, toda sorte de dificuldade foi imposta na pesquisa. Falo isso com tristeza.

A Biblioteca que deveria ser fonte de conhecimento para o povo torna-se um labirinto de kafkiana burocracia.

Para os funcionários da Biblioteca, um pesquisador é um ser desocupado, sonhador, dono de todo o tempo do mundo para ir e voltar do seu trabalho até aquele estabelecimento.

Engano cruel o deles!

O tempo de um pesquisador é escasso, porque a história é um bem extremamente perecível.

Lamento o acontecido.

Até porque, ironia do destino, a coleção pesquisada foi doada por meu amigo, o médico e escritor Lucídio José de Oliveira, o qual fez a doação para que seus livros fossem visitados por todos os que se interessam pela história.

Que fazer?

Volto para os amigos e funcionários do Arquivo Público e da Fundação Joaquim Nabuco.

Funcionários que compreendem que um documento histórico não pertence às estantes, nem ao pesquisador, nem ao governo.

Pertence ao povo.

Um país se faz com homens e com livros, dizia o mestre Monteiro Lobato.

Pois é José Bento, menos na Biblioteca do Estado de Pernambuco!



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