Vinicius acordou e olhou Boa Viagem. O mar se estendendo até o infinito. Saudade de Itapoã. Na noite anterior ele ficara conversando durante horas com Toquinho e o Quarteto em Cy. Chega de saudade. O Brasil já não era tão bonito, tinha instantes em que sentia vontade de compor um verso sobre a liberdade do homem. Mas só sabia falar de amor.
Vinicius queria cantar, mas um certo Sr. Jadi Soares, superintendente da Polícia Federal em Pernambuco disse não.
O poeta estava suspenso por 30 dias pela enigmática Divisão de Censura de Diversões Públicas.
Vinicius sonha o rio Capibaribe. Pensar que eles passarão, Vinicius e Quintana passarinhos. É querer que deixe de ser mar esse oceano enorme. ‘Que mal eu fiz a eles, meu Deus?’
Quem sabe o mal de falar de amor?
O Teatro Santa Isabel lotado ouve a notícia infame:
“O senhor Vinicius de Moraes não pode cantar!”
Silêncio na platéia, até que o violão de Toquinho inicia a Primavera.
Haverá perdão para uma cidade que censura Vinicius de Moraes?
Nunca haverá.
Era uma quarta-feira, dia 9 de outubro de 1974.
E embora outubro, era apenas mais uma quarta-feira de cinzas.
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