Por ROBERTO VIEIRA
A Hungria entra no Estádio Independência* seguida da Portuguesa de Desportos.
Na chuva inclemente, 22 mil torcedores se comprimem para ver a magia magiar.
Dezesste anos depois, muitos ainda sonham com Puskas e Bozsik. Assistem Bene.
Bene que foi artilheiro olímpico. Companheiro de Albert na Copa de 1966.
Mas a Hungria está velha. Desgastada pelo regime comunista. Por uma diáspora.
O melhor futebol do mundo morreu em Berna.
A Portuguesa não tem nada a ver com isso e pressiona os húngaros.
O técnico Rudolf Bovszkay não é Gustav Sebes.
Estamos no ano de 1972. Janeiro. A Hungria nunca perdeu do Brasil em Copas do Mundo.
Vice-campeã mundial em 1938 e 1954, perdeu foi o bonde da história.
Um chute forte de Marinho abre o marcador. De falta. No canto direito de Geczy.
Minutos depois, uma bomba de Fogueira é largada pelo goleiro. Gol de Valdomiro.
Onde estará Grosics?
O tempo é cruel com os sonhos.
A Portuguesa comemora uma utopia.
Conseguiu um feito impossível para o Brasil. Vencer a seleção da Hungria.
Hungria que venceu o Brasil por 4 x 2 em 1954.
Hungria que venceu o Brasil por 3 x 1 no dia 15 de julho de 1966.
Hungria que empatou com o Brasil por 0 x 0 em 1971.
O placar encharcado do Estádio Independência registra, impávido.
Portuguesa de Desportos 2 x 0 Hungria.
Piau é carregado nos ombros como o novo Fritz Walter.
Em 1972.
* Nome do estádio da Portuguesa em 1972
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