15 de jul. de 2008




Por ROBERTO VIEIRA


A Hungria entra no Estádio Independência* seguida da Portuguesa de Desportos.

Na chuva inclemente, 22 mil torcedores se comprimem para ver a magia magiar.

Dezesste anos depois, muitos ainda sonham com Puskas e Bozsik. Assistem Bene.

Bene que foi artilheiro olímpico. Companheiro de Albert na Copa de 1966.

Mas a Hungria está velha. Desgastada pelo regime comunista. Por uma diáspora.

O melhor futebol do mundo morreu em Berna.

A Portuguesa não tem nada a ver com isso e pressiona os húngaros.

O técnico Rudolf Bovszkay não é Gustav Sebes.

Estamos no ano de 1972. Janeiro. A Hungria nunca perdeu do Brasil em Copas do Mundo.

Vice-campeã mundial em 1938 e 1954, perdeu foi o bonde da história.

Um chute forte de Marinho abre o marcador. De falta. No canto direito de Geczy.

Minutos depois, uma bomba de Fogueira é largada pelo goleiro. Gol de Valdomiro.

Onde estará Grosics?

O tempo é cruel com os sonhos.

A Portuguesa comemora uma utopia.

Conseguiu um feito impossível para o Brasil. Vencer a seleção da Hungria.

Hungria que venceu o Brasil por 4 x 2 em 1954.

Hungria que venceu o Brasil por 3 x 1 no dia 15 de julho de 1966.

Hungria que empatou com o Brasil por 0 x 0 em 1971.

O placar encharcado do Estádio Independência registra, impávido.

Portuguesa de Desportos 2 x 0 Hungria.

Piau é carregado nos ombros como o novo Fritz Walter.

Em 1972.

* Nome do estádio da Portuguesa em 1972


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