19 de jul. de 2008



Nunca houve um jogo como aquele.

Talvez o jogo mais emblemático da história alvirubra.

Rival de outro 5 x 1 famoso.

O 5 x 1 dos anos 50. Aquele do filho pródigo.

Porque essa goleada foi na final de um campeonato.

Na conquista de um título inédito.

Teve na sua comemoração um toque de sincretismo religioso inédito nos Aflitos.

Presságios de Mãe Baiana.

Toque de Xangô nas vestiárias.

Xangô, Senhor da Justiça.

Xangô, Senhor da estrela de seis pontas. Hexagonal.

Grande parte da torcida timbu ainda vai ficar cismada com o texto.

Mas o Hexa foi revolucionário por essas e outras. Tornou o clube ecumênico.

Voltando ao jogo. Tudo começou com cento e vinte segundos.

Tempo necessário para Lala driblar Djalma, servir a Nino. Nino que encaçapou o leão: 1 x 0.

Teve ainda o pênalti de Djalma em Lala. Pênalti que Sebastião Rufino decidiu ignorar.

Canhoto empatou?

Um minuto depois Nino toca cerebral e Zé Carlos cabeceia: 2 x 1. Placar do primeiro tempo.

O Náutico jogava pelo empate.

Jogava.

Mas Nino estava infernal. Driblou todo mundo e serviu a Lala. Tentaram assassinar Lala.

Pênalti. Só faltou a voz de prisão.

Bita dispara: 3 x 1.

Miruca: 4 x 1.

O Sport ataca com o ex-alvirrubro Geraldo José. Rufino marca pênalti.

Canhoto corre pra bola e... chuta pra fora.

Pouco depois, Lala dá algarismos definitivos ao placar: 5 x 1.

Os jogadores por intuição lembraram 1951.

Na goleada de então, os cinco gols foram marcados por gênios diferentes: Hélio Mota, Alcidésio, Fernandinho, Zeca e Djalma.

Em 1966 os artilheiros foram: Nino, Zé Carlos, Miruca, Bita e Lala.

Coincidências da história. Essa senhora de véu e tarot.

Nas vestiárias, um canto diferente ecoou.

Para espanto de Castro Alves. E sorrir de Eugênia Câmara no palco do Santa Isabel.

Kao-Kabelecilie! Kao - Kabelecilie!



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