21 de jul. de 2008




Por ROBERTO VIEIRA

(baseado na obra-prima de Vinicius de Moraes e Baden Powell)


Ramos ganhou nota 8 da crônica esportiva.

E 10 da história.

Mas cadê a imagem do gol do Hexa?

Está na edição extra do Diario de Pernambuco do dia 22 de julho de 1968.

Uma foto de imagem impressionista.

Sem detalhes.

Mas com detalhes óbvios da imaginação de quem lembra sem ter vivido.

A imaginação alvirrubra.

A semana que passou foi pródiga em ataques da torcida ao Hexa.

Como se o Hexa fosse culpado das mazelas dos anos que se seguiram.

Como se os céus fossem culpados da miséria do homem.

É bem próprio do ser humano culpar o passado pelo presente.

Esquecidos que quem sabe faz a hora.

Não espera acontecer.

Esta semana foi uma semana de reflexão e entendimento.

Entendimento que o futebol é muito maior do que supõe a imaginação do torcedor.

Toda glória é vã no futebol.

Tudo é passageiro.

A mão que afaga, é a mão que apedreja no mesmo lance. Na mesma dividida.

Fico feliz em saber que o Hexa e seus personagens serão homenageados pelo Clube Náutico Capibaribe.

Feliz porque o esquecimento é a vala comum da vida.

Vala comum que traga o homem comum e o Mozart.

A benção Lucídio José de Oliveira, Lucídio que realizou seu sonho de reeditar seu livro.

Lucídio que é só paixão pelo clube.

A benção Carlos Celso Cordeiro. Celso que é coração e números. Algarismo e palavra.

Alvirrubro de corpo, cérebro e alma.

A benção.

A benção Gentil Cardoso, Gentil que modificou o Náutico na sua chegada.

A benção todos os alvirrubros brancos, pretos, mulatos deste novo Náutico.

Lindo como a pele macia de Oxum.

A benção Davi Ferreira, técnico matreiro, capitão do mato, o homem que conduziu o Náutico com o coração e a razão.

A benção.

A benção Aramis Trindade, Trindade dos intocáveis. Trindade santíssimo, a benção.

A benção Wilson Campos, José Porfírio, Salsa e Salsinha, a benção Antoninho e Mituca.

A benção Ivan e Salomão. O terrível e o sábio, vocês que unem ação ao sentimento.

A benção a todos os jogadores, técnicos, massagistas, roupeiros, porteiros, dirigentes que nos fizeram sonhar.

É melhor ser Hexa que ser triste, diria o saudoso Vinicius de Moraes no seu Samba da Benção.

A tristeza é a pior coisa que existe.

Saravá!

A benção que eu vou partir.

Vou cuidar dos contos e de outras histórias.

Vou deixar o Hexa repousar no coração.

Vou cuidar do que está por vir.

Pois 'pobre de quem não entendeu, que a beleza de amar é se dar'.

Quem não entende isso.

É ruim da cabeça e será eternamente, doente do pé!




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