24 de jul. de 2008



Graham Hill


Por ROBERTO VIEIRA


Normalmente a comparação é cruel. O pai herói sempre supera o filho na memória do torcedor.

E o filho vaga como Hamlet pelas curvas e gramados do esporte:

Ser ou não ser, eis a competição.

Quando Nelsinho Piquet cruzou a linha de chegada em Hockenheim não havia ninguém da família.

Apenas a sua equipe e o cockpit por companhia.

Mas os seus olhos procuravam na distância seu pai.

Como os olhos de Ademir da Guia quando desfilava em campo com a Academia.

A bola presa e submissa aos pés, mas ainda saudosa do velho da Guia.

Como o driblar de Djalminha na memória de Djalma Dias. Video tape da história.

Ou quem sabe, a sombra de Graham Hill nas curvas de Mônaco do seu filho Damon.

Hill que não sobreviveu para ver seu filho campeão mundial.

Impossível não lembrar de Valentino Mazzola que levava seu filho Sandro pelo braço nas partidas do Torino na década de 40.

Valentino que morreu no desastre de Superga em 1949.

Sandro cresceu para brilhar na seleção italiana.

E em cada gol ele murmurava o nome do seu pai.

Raros os filhos que fazem a torcida esquecer seus pais. Talvez por força do destino.

Talvez por amor.

Pois cada vitória, cada curva, cada saque de um filho sempre aguarda um olhar do seu pai na multidão.

Todo gol, é um gol em nome do pai...



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