15 de jul. de 2008



O Náutico tem uma lembrança imortal da Portuguesa de Desportos.

No dia 27 de setembro de 1972, o Náutico venceu a Portuguesa por 2 x 1.

A primeira vitória do Timbu em campeonatos nacionais.

Os dias que antecederam o jogo foram tumultuados.

Durante cinco rodadas o Náutico sentira a vitória escapando entre seus dedos.

Traiçoeira. Vã.

Paraguaio havia sido sacado do time.

Gradim balançava no cargo.

Elói driblava no vazio.

Portuguesa trazia o jovem Enéas.

Uma das maiores promessas do futebol brasileiro na década de 70.

A Portuguesa que havia vencido a Hungria por 2 x 0 (veja posts anteriores).

Gradim chama Paraguaio num canto depois de um treino estafante.

Gradim implica com o centroavante.

Centroavante que foi lançado no sacrifício nos primeiros jogos, com uma contusão no tornozelo.

Mas Paraguaio resume tudo numa frase: "Eu sei que dá pra jogar!"

E Paraguaio é escalado como o salvador da pátria alvirrubra.

O Náutico formou com Lula Monstrinho; Gena, Ubirajara, Sidclei e Romero; João Paulo, Cordeiro e Vasconcelos; Elói (Galdino), Paraguaio e Pereira (Paulinho).

A Portuguesa veio de Carioca; Deodoro, Dacio, Guaraci e Fogueira (Isidoro); Didi e Dicá; Xaxá, Enéas, Basílio e Wilsinho.

Basílio que seria o herói do Corinthians em 1977.

O Arruda estava tenso. A torcida alvirrubra, sofrida.

O Náutico começa com tudo. Lula apenas assiste o espetáculo.

Mas Dicá encaixa os lançamentos. Basílio chuta na rede pelo lado de fora. Enéas perde um gol feito.

Paraguaio toca para Pereira que dribla Dacio e quando vai chutar... pênalti.

O juiz ignorou solenemente a falta.

Pereira toca de cabeça para Paraguaio cara a cara. E Paraguaio perde.

0 x 0. 0 x 0.

Elói recebe, dribla um, dois e é selvagemente atacado no vietnã da pequena área.

Pênalti?

Pênalti!

Gol?

Não. Carioca defende a penalidade máxima.

O 0 x 0 do primeiro tempo persiste.

Mas aos 25' do segundo tempo Paraguaio enche o pé e marca: 1 x 0.

Paraguaio, o dono da festa?

Ele mesmo. Dois minutos depois Paraguaio é lançado. Carioca sai desesperado.

Paraguaio toca mansamente por cima do goleiro luso, a bola descreve uma parábola, toca na trave e volta no zagueiro Guaraci: 2 x 0!

Acabou?

Não. Aos 17 anos Enéas aproveita o rebote de uma bola na trave de Xaxá: 2 x 1.

O Náutico fecha a porteira. A Portuguesa vê o tempo passar com a bola de pé em pé dos alvirrubros.

O Professor Gradim caminha para a beira do gramado e em silêncio abraça o Doutor Paraguaio.

E os primeiros dois pontos de uma vitória entram para a história de Rosa e Silva.

Sofridos. Suados.

Alvirrubros...

1972: Enéas treina nos Aflitos


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