Por ROBERTO VIEIRA
A Polícia Militar de Pernambuco completará 183 anos de fundação no dia 11 de junho, tendo sido arquitetada pela Metrópole para controlar a província rebelde. A PM pernambucana foi instrumento da oligarquia local como todas as PMs do Brasil. Em Pernambuco a PM serviu aos coronéis. No Rio Grande aos caudilhos. Em São Paulo à aristocracia cafeeira. Após o golpe militar de 1964 a PM colaborou na repressão em Pernambuco.
Como todas as PMs do Brasil.
Tal passado antidemocrático criou raízes no povo brasileiro. Os mais abastados julgam a polícia escrava. Os mais desfavorecidos julgam a polícia violenta. No meio do caminho circulam os bandidos e a impunidade.
Tal passado obscurece a noção de crime e castigo até hoje.
Ontem no Estádio dos Aflitos esta dicotomia novamente entrou em cena. Em um jogo bem disputado entre Náutico e Botafogo, o zagueiro André Luís foi expulso. Ao ser expulso, o zagueiro botafoguense chutou uma garrafa d'água que estava postada na beira do campo. A garrafa voou para o meio das sociais do Náutico ferindo um torcedor no rosto. Não satisfeito, André Luis começou a fazer gestos obscenos do banco de reservas do Botafogo na direção da torcida alvirrubra. A PM se aproximou para conduzir o jogador para fora do campo, André Luís deu um safanão na tenente Lúcia Helena. Os demais soldados da PM foram em defesa da sua superior. O time do Botafogo partiu em defesa de André Luís.
O jogador foi preso.
O resto é história. Por que? Invertamos o caso.
Imaginem um torcedor do Náutico jogando uma garrafa em um jogador do Botafogo. O que faria a PM? A PM iria até onde estava o torcedor e ele seria retirado de campo e conduzido ao Juizado do Torcedor. E se os torcedores em volta decidissem defender o companheiro entrariam em confronto com a PM.
O torcedor seria preso.
Muitos defendem o jogador André Luís. Mas a atitude do jogador André Luís não tem defesa. É crime. Atirar um objeto em uma multidão é crime. Lesão corporal é crime. Desacatar uma autoridade é crime. É crime, seja feito por um torcedor ou por um jogador de futebol. André Luís seria preso em Recife, em São Paulo ou em Porto Alegre.
A regra é clara!
Para os que imaginam que no resto do mundo é diferente, um lembrete.
Quando foi campeão português pelo Benfica na temporada 2004/2005, André Luís não atirava objetos na torcida. Se atirasse seria preso no ato. Sem direito a cestas básicas. Como seria preso em Londres, em Paris ou em Roma.
Esquecer o crime, ameaçar o Náutico com a perda do mando de campo, falar mal de Pernambuco é prestar um desserviço a quem acredita na lei. Principalmente porque a torcida do Náutico assistiu a tudo sem atirar nenhum objeto em campo. Aguardando o desfecho de um evento policial como qualquer cidadão civilizado.
Na mais pura ordem.
Ainda não se convenceu?
Então reflita: Aquela garrafa poderia ter atingido uma criança!
E independente do passado repressivo da nossa polícia, independente dos seus erros, ontem a PM de Pernambuco agiu de conformidade com a lei de qualquer cidade civilizada.
Onde tem crime deve haver castigo... Doa a quem doer. Seja ele torcedor, dirigente ou jogador de futebol.
O resto é tempestade em garrafa d'água...

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