28 de jun. de 2009



Por PLÍNIO FEITOSA

Era minha primeira vez no Maracanã. Tinham me levado pra ver o Torneio Início, um festival de curta metragens de futebol, costume antigo, avant premiere dos estaduais. Coincidia de ser véspera de São Pedro, mas no Rio de Janeiro ninguém ligava muito pra isso. Eu era Flamengo desde criancinha. Tinha uma coleção de tampinhas com a cara dos jogadores: Perácio, Domingos, Valido, Biguá. Ouvia pelo rádio os resultados, jogo era difícil pegar. Coisas do interior do Ceará.

Pois bem. Sentei no gigante e comecei a ver aquela sequencia interminável de jogos. Com algumas surpresas, as quais eram o melhor aperitivo do Torneio Início. O América eliminou o Vasco por 2 x 1 nos pênaltis. Com a estrela de Pompéia brilhando. O Bangu eliminou o Fluminense. Três penalidades convertidas por Parada. Aquele que ainda ia jogar no Náutico, lembra? Foi quando o Flamengo entrou pra pegar o coitado do São Cristovão. E eu me animei todo. Vestido de vermelho e preto. Pra que? Jair meteu 1 x 0 para o São Cristovão aos 3' de jogo e de nada adiantaram os ataques do Hipólito e do Décio. O São Cristovão estava na final contra o Bangu.

Estranhamente, nem liguei. Estava apaixonado pelo São Cristovão. Tanto que na final gritei até ficar rouco, apesar dos olhares desconfiados do pessoal dos outros times. Mas o Sancrista perdeu por 2 x 0. Com um pênalti roubado marcado sobre o Paulo Borges.

Dois meses depois, lá estava eu, em pleno Figueira de Melo. No milésimo jogo do Cri-Cri em estaduais. Contra o poderoso Vasco da Gama. Vasco que meteu 2 x 0 e 3 x 1, mas a gente tinha o Válter marcando dois gols. E a gente tinha o Aladim, aquele ponteiro do Bangu e do Corinthians. E do Coritiba também. Pois o jogo terminou 3 x 3. A gente foi o quinto time carioca a completar mil jogos, imagine só!

Lá se vão 45 anos. O São Cristovão vive morre, não morre. Nordestinado, como diria Patativa.

Este São Cristovão é o melhor time que vi jogar no Maracanã. Melhor até mesmo que o meu saudoso Icasa Esporte Clube...

E home, isso não é pouca coisa não...


* O time do São Cristovão que Plínio viu jogar era formado por: Drauzio; Ari, Roberto, Elton e Moisés; Válter e Jair; Rubens, Jorge, Aladim e Fraga.



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