19 de mai. de 2008





Por ROBERTO VIEIRA

O futebol e os Jogos Olímpicos se divorciaram há oitenta anos.

O futebol profissional era incompatível com o pretenso amadorismo dos Jogos. Então a FIFA organizou a Copa do Mundo, uma competição tão bissexta quanto as Olímpiadas.

Justiça seja feita, a Copa do Mundo nunca foi hipócrita. Dinheiro comprava jogadores e títulos. Tanto que depois da conquista do Uruguai em 1930 e da Itália em 1938, nunca mais uma equipe com vitória em Olímpiadas chegou a ganhar uma Copa.

Oitenta anos depois jogadores como Kaká e Cristiano Ronaldo são movidos a dólares e euros. Porque o futebol é movido a dólares e euros e a medalha de ouro olímpica, desde os Jogos de Estocolmo em 1912, nem mesmo de ouro puro é.

Talvez porque o preço de uma medalha de ouro não esteja na medalha. Mas no atleta.

O que torna Jesse Owens um mito? A resposta parece clara: O Estádio de Berlim lotado. Os judeus banidos da equipe americana. A guerra.

Jesse Owens venceu o nazismo antes de Omaha. Owens que voltou pobre aos EUA. A medalha de Owens não lhe comprava comida.

Mas a imagem de Jesse Owens vencendo em Berlim atravessou gerações. Um ideal de força e bravura.

Apesar do dinheiro que confunde o ideal do esporte, o dinheiro que constrói e destrói coisas belas, o esporte é muito mais que uma montanha de dinheiro. Muito mais que uma propaganda de refrigerante.

Perguntem a Oscar Schmidt.

Desde as Olímpiadas de Barcelona, Jogos e Copa do Mundo se equivalem. Big business. O dinheiro deixou de circular por baixo da mesa. Os atletas são muito bem remunerados. Milionários. Mas a magia dos empresários não consegue fabricar o mito.

Jesse Owens, a celeste olímpica e Oscar Schmidt não se compram em qualquer esquina. E mesmo o futebol, uma das ovelhas negras da família olímpica, compreende o preço de uma medalha.

Pois se o futebol de Maradona e Cruijff é festejado, o nome de Uwe Seeler era entoado em cânticos nos gramados alemães.

Como um herdeiro dos velhos ideais de um futebol de utopias.

Um futebol olímpico.


0 comentários:

Postar um comentário

Comentários