18 de mai. de 2008



Por ROBERTO VIEIRA

Ora (direis) que é apenas a segunda rodada. Certo, perdi meu senso!

E eu vos direi, no entanto. 'Amai para entender'.

Pois só quem ama pode compreender o sentido da paixão.

Olavo Bilac, cujo nome de batismo já era um verso alexandrino, não era torcedor alvirrubro.

O Clube Náutico há dois anos era a última flor do Lácio, inculto e esquecido da beleza dos grandes palcos.

Imagina-lo, dois anos depois, liderando o principal torneio de clubes do país era uma temeridade.

Um requisito de um Lima Barreto, jamais de um Olavo Bilac.

Mas o torcedor alvirrubro quando olhava triste as partidas da Série A, sonhava. E via.

Quem sabe um dia...

Os sensatos repetiam: 'Ora (direis) ouvir estrelas!'

Porém, que é feito do torcedor sem o sonho. Sem a fantasia depois da quarta-feira de cinzas das derrotas colossais.

Épicas.

Sem a lágrima da batalha trágica, que se anuncia eterna. E se revela efêmera.

Porque é efêmera toda despedida para quem ama. Toda lágrima.

Na ausência de palavras que expressem essa singular e transitória alegria alvirrubra só nos resta lembrar de Bilac.

O Bilac sério e nacionalista.

O Bilac que nunca foi um torcedor de futebol.

Mas que ousou transcrever emoções que soam como hino para quem ama seu clube, seu time, na felicidade breve e transitória de que é feito o futebol:

"Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."



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