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28 de ago. de 2013






Por ROBERTO VIEIRA

José Alexandre Borges sabia tudo de futebol.

Sócio remido e ex-treinador das divisões de base do Clube Náutico Capibaribe, a sua participação na fuga do lateral Gena, ainda juvenil, dos Aflitos para o Botafogo-RJ, foi tema de caça às bruxas nos idos de José Porfírio e Eládio de Barros Carvalho.

Tempo que passa, em 1970, Alexandre, ex-congressista da UNE no auge da ditadura brasileira, comandava o América no Torneio Início.

O Santa Cruz trazia Gilberto no gol, Luciano com Givanildo Oliveira no meio campo e Ramon e Fernando Santana no ataque.

O Náutico tinha Bita.

O Sport vinha de Miltão, Baixa e Altair. Alexandre passou noites em claro imaginando como poderia surpreender no certame.

Quem sabe apostando nos milagres de Jagunço, antigo goleiro e paredão do Íbis?

Ou então, confiando na habilidade de Evaldo?

A Ilha do Retiro lotada. 

O primeiro jogo é disputado sob um sol de rachar o juízo.

Diante do América, o valoroso Central de Félix, Borges, Fernando Silva e Brito. Alexandre Borges arma sua equipe com Jagunço; Teco, Fernando, Ivan e Jaminho; Batista e Marivaldo; Manuelzinho, Edson, Evaldo e Paulinho.

A ordem é atacar.

Em vinte minutos alucinantes, o América marca dois gols nas redes de Félix – nada a ver com Félix Emerenciano, titular da Copa de 70 – através do centroavante Evaldo.

Dois gols que botam foco na torcida esmeraldina nas arquibancadas.

Pra ajudar, o Náutico perde por 1 a 0 para o Santo Amaro e o Sport é desclassificado nos pênaltis diante do Ferroviário.

Pouco depois, a grande surpresa da tarde acontece no jogo Íbis x Santa Cruz.

O arqueiro Lino segura tudo e o tricolor do técnico Duque vai pra casa mais cedo.

O craque Luciano desperdiça duas penalidades máximas; o simpático Ugiéte balança as redes do arqueiro Gilberto quatro vezes.

O América surge como favorito do torneio após a eliminação de Náutico, Sport e Santa Cruz.

O técnico Alexandre Borges então realiza duas modificações no segundo jogo: saca Jaminho e coloca Duda  na lateral-esquerda, tira Paulinho e lança Geraldo na ponta esquerda.

E é justamente Geraldo quem define o placar de 1 a 0 diante do Santo Amaro - o arqueiro Nunes do 
Vovozinhas assistindo o couro beijando discretamente o barbante.

Como o Pássaro Preto desclassifica o Ferroviário nos pênaltis, a final colocará frente a frente esmeraldinos e ibienses na Ilha do Retiro.

O América buscando seu décimo - primeiro Torneio Início.

O Íbis em busca de reconquistar o certame ganho em 1948 e 1950.

Alexandre Borges gostaria de manter a mesma equipe que eliminara o Santo Amaro, mas Batista talvez não acompanhasse o ritmo de Júlio e Admilsson, meio-campistas do Íbis.

Então, na vaga de Batista, entra Ideltônio. 

Toque de classe, a arbitragem da final fica por conta do juiz Manoel Amaro, o mesmo do milésimo gol de Pelé em 1969, no Maracanã.

Em campo, a superioridade do América é flagrante.

O ‘sentido de conjunto e a boa distribuição dos jogadores em campo’, segundo jornais da época, deixaram o adversário sem ação.

O goleiro Lino faz milagre em cima de milagre – o Íbis buscando uma nova decisão nas penalidades - porém, Geraldo e Marinaldo decidem a final nos noventa minutos: América 2 a 0.

Cabe exatamente a Marinaldo, autor do gol do título, a honra de erguer o troféu de campeão do Torneio Início de 1970.

Foi o último título do América Futebol Clube.  

12 de fev. de 2013





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