Por
ROBERTO VIEIRA
Lá fora está a Arena e
seus noventa minutos.
Lá fora repousa o tempo
e o campo de batalha.
Muitos dirão que o
futuro já está escrito.
Um futuro de derrotas e
chão.
Muitos dirão que vocês
são perdedores.
Um exército derrotado e
perdido diante da realidade.
E lá fora está a Arena
e seus noventa minutos.
Lá fora repousa o tempo
e o campo de batalha.
O futuro repousa no
coração de cada homem.
O futuro é um
adversário batendo a nossa porta.
Podemos recebe-lo de
joelhos.
Frágeis.
Ou podemos recebe-lo com
olhos de luta e paixão.
Com a faca entre os
dentes.
Com a fúria nas mãos.
Lá fora está a Arena e
seus noventa minutos.
Lá fora repousa o tempo
e o campo de batalha.
Cada jogador de futebol
carrega em si o dom de escrever sua história.
Seu futuro.
A cada noventa minutos
de batalha.
O futuro de cada
jogador de futebol pode ser de derrotas.
Vexames.
Tragédias.
Mas este mesmo futuro
pode ser de glórias.
Gols.
Imensas e eternas plateias.
Um futuro escrito com
suor e coração.
Lá fora está a Arena e
seus noventa minutos.
Lá fora repousa o tempo,
o campo de batalha e uma antiga história.
Nos campos de batalha reinava
o jovem guerreiro Jorge.
Jorge, soldado romano.
Órfão de pai.
Solitário após a morte
da mãe.
Capitão e tribuno
admirado pela honradez e coragem.
Jorge se tornou
cristão.
E por ser cristão foi
perseguido e torturado pelo imperador Diocleciano.
Lá fora está a Arena e
seus noventa minutos.
Lá fora repousa o tempo
e o campo de batalha.
Nas masmorras da
ditadura romana.
Diocleciano ofereceu
ouro e poder a Jorge:
‘Basta renegar o teu
Cristo, Jorge!’
Jorge dizia não.
Mil vezes foi Jorge
açoitado.
Mil vezes o imperador
mandou a mensagem;
‘Basta renegar o teu
Cristo, Jorge!
Teu futuro já está
escrito.
Um futuro de derrotas e
chão’.
E Jorge murmurava ao
imperador:
‘O futuro repousa no
coração de cada homem.
O futuro é um imperador
batendo a nossa porta.
Podemos recebe-lo de
joelhos.
Frágeis.
Ou podemos recebe-lo com
olhos de luta e paixão.
Com a faca entre os
dentes.
Com a fúria nas mãos’.
Jorge morreu degolado.
Seu corpo despido e
massacrado exposto nas ruas do império.
O imperador julgou
haver derrotado Jorge.
Jorge com a faca entre
os dentes.
Jorge com a fúria nas
mãos.
Jorge que nunca negou
sua fé.
O corpo de Jorge foi
levado para Lida.
Para onde repousava o
corpo de sua mãe.
A história imaginou Jorge
derrotado.
Mas o futuro repousa no
coração de cada homem.
O futuro é um
adversário batendo a nossa porta.
Podemos recebe-lo de
joelhos.
Frágeis.
Ou podemos recebe-lo com
olhos de luta e paixão.
Com a faca entre os
dentes.
Com a fúria nas mãos.
O tempo passou.
Muitos anos depois,
Constantino proclamado imperador romano.
Constantino descobriu a
verdade em Cristo.
Ao saber do sofrimento
e coragem de Jorge.
Constantino construiu
um oratório no local onde estava enterrado Jorge.
Jorge que ressurgiu
mais forte que o tempo.
Jorge que transformou fé
e sofrimento.
Em vitória.
Ninguém mais lembra de
Diocleciano.
Ninguém recorda os
soldados que torturaram Jorge.
Mas na Inglaterra, em
Portugal, na Catalunha e no Brasil.
Jorge ainda passeia em
seu cavalo branco.
Faca entre os dentes.
Fúria nas mãos.
Cada homem carrega em
si o seu futuro.
Seus noventa minutos.
Cada homem pode
escrever seu futuro de joelhos.
Ou como Jorge.
Faca entre os dentes.
Fúria nas mãos...
