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17 de ago. de 2013





Por ROBERTO VIEIRA

Lá fora está a Arena e seus noventa minutos.
Lá fora repousa o tempo e o campo de batalha.
Muitos dirão que o futuro já está escrito.
Um futuro de derrotas e chão.
Muitos dirão que vocês são perdedores.
Um exército derrotado e perdido diante da realidade.
E lá fora está a Arena e seus noventa minutos.
Lá fora repousa o tempo e o campo de batalha.
O futuro repousa no coração de cada homem.
O futuro é um adversário batendo a nossa porta.
Podemos recebe-lo de joelhos.
Frágeis.
Ou podemos recebe-lo com olhos de luta e paixão.
Com a faca entre os dentes.
Com a fúria nas mãos.
Lá fora está a Arena e seus noventa minutos.
Lá fora repousa o tempo e o campo de batalha.
Cada jogador de futebol carrega em si o dom de escrever sua história.
Seu futuro.
A cada noventa minutos de batalha.
O futuro de cada jogador de futebol pode ser de derrotas.
Vexames.
Tragédias.
Mas este mesmo futuro pode ser de glórias.
Gols.
Imensas e eternas plateias.
Um futuro escrito com suor e coração.
Lá fora está a Arena e seus noventa minutos.
Lá fora repousa o tempo, o campo de batalha e uma antiga história.
Nos campos de batalha reinava o jovem guerreiro Jorge.
Jorge, soldado romano.
Órfão de pai.
Solitário após a morte da mãe.
Capitão e tribuno admirado pela honradez e coragem.
Jorge se tornou cristão.
E por ser cristão foi perseguido e torturado pelo imperador Diocleciano.
Lá fora está a Arena e seus noventa minutos.
Lá fora repousa o tempo e o campo de batalha.
Nas masmorras da ditadura romana.
Diocleciano ofereceu ouro e poder a Jorge:
‘Basta renegar o teu Cristo, Jorge!’
Jorge dizia não.
Mil vezes foi Jorge açoitado.
Mil vezes o imperador mandou a mensagem;
‘Basta renegar o teu Cristo, Jorge!
Teu futuro já está escrito.
Um futuro de derrotas e chão’.
E Jorge murmurava ao imperador:
‘O futuro repousa no coração de cada homem.
O futuro é um imperador batendo a nossa porta.
Podemos recebe-lo de joelhos.
Frágeis.
Ou podemos recebe-lo com olhos de luta e paixão.
Com a faca entre os dentes.
Com a fúria nas mãos’.
Jorge morreu degolado.
Seu corpo despido e massacrado exposto nas ruas do império.
O imperador julgou haver derrotado Jorge.
Jorge com a faca entre os dentes.
Jorge com a fúria nas mãos.
Jorge que nunca negou sua fé.
O corpo de Jorge foi levado para Lida.
Para onde repousava o corpo de sua mãe.
A história imaginou Jorge derrotado.
Mas o futuro repousa no coração de cada homem.
O futuro é um adversário batendo a nossa porta.
Podemos recebe-lo de joelhos.
Frágeis.
Ou podemos recebe-lo com olhos de luta e paixão.
Com a faca entre os dentes.
Com a fúria nas mãos.
O tempo passou.
Muitos anos depois, Constantino proclamado imperador romano.
Constantino descobriu a verdade em Cristo.
Ao saber do sofrimento e coragem de Jorge.
Constantino construiu um oratório no local onde estava enterrado Jorge.
Jorge que ressurgiu mais forte que o tempo.
Jorge que transformou fé e sofrimento.
Em vitória.
Ninguém mais lembra de Diocleciano.
Ninguém recorda os soldados que torturaram Jorge.
Mas na Inglaterra, em Portugal, na Catalunha e no Brasil.
Jorge ainda passeia em seu cavalo branco.
Faca entre os dentes.
Fúria nas mãos.
Cada homem carrega em si o seu futuro.
Seus noventa minutos.
Cada homem pode escrever seu futuro de joelhos.
Ou como Jorge.
Faca entre os dentes.
Fúria nas mãos...