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22 de set. de 2008



Emil Zatopek, à esquerda


Por ROBERTO VIEIRA

Volta e meia, o sexo volta aos noticiários sobre o esporte.

Os boxeadores pregam abstinência. Dario, o mínimo caprichado.

Heleno de Freitas cultivava o infinito. Zatopek e Nariz só corriam com esposa a tiracolo.

Garrincha precisava de três doses diárias. Iashin e Puskas não perdiam uma aeromoça.

Didi mandava flores e folhas secas para Guiomar.

Nadia Comaneci era nota 10.

Navratilova discordava de Chris Evert no quesito, mas ambas batiam um bolão.

No Vasco da Gama saiu Tita, o celibatário. Entrou Renato, o arrendatário.

Vasco da Gama que ainda teve Romário, PhD no assunto.

Doval apresentou Buenos Aires a Paulo César Caju. Que retribuiu à altura no Rio de Janeiro.

Até a famigerada concentração no esporte deve sua existência ao sexo.

Sexo que já foi acusado de causar espinhas, gols perdidos e medalhas de bronze.

Beckembauer ganhou uma Copa transando. Bigode perdeu uma Copa, sonhando.

Tanta conversa à toa.

Hoje, sexo já é esporte. Tem até campeã mundial.

Poderia fazer parte dos Jogos Olímpicos. Preenche um dos requisitos básicos do COI:

É praticado em mais de 75 países e 4 continentes...


Didi e dona Guiomar


8 de jun. de 2008







Por ROBERTO VIEIRA


No início dos anos 70, o Brasil possuía vários sucessores para o Rei Pelé.

Washington do Guarani naufragou na adolescência.

Tostão abdicou no diagnóstico de Dr. Roberto Abdallah Moura.

E Paulo César Lima, ou Caju, exilou-se no álcool e nas drogas.

Paulo César era uma exceção na cultura do futebol brasileiro de então.

Nascido na Favela da Cocheira e adepto da alta sociedade. Um craque em campo e nas altas rodas.

O Wilson Simonal do Maracanã e dos gramados franceses.

Um virtuose entre os virtuoses do Botafogo, do Flamengo e do Fluminense.

Paulo César foi colhido pelo vendaval alucinógeno daqueles anos em que tudo era permitido, menos a realidade.

Neste domingo no Programa do Faustão, o depoimento do antigo craque recuperado dos vícios e das más companhias é um aviso.

Um aviso aos pais e aos adeptos das cannabis e papoulas da vida.

Nem sempre a vida permite que amigos como Cláudio Adão, Roberto Rivelino, Zagallo e Parreira cruzem nosso caminho.

Nem sempre uma Dona Ana se apaixona por nós.

As drogas e o álcool geralmente não permitem uma segunda chance na vida.

Apesar de mata-mata, o jogo do underground lisérgico é só de ida.

Não tem volta.