Mostrando postagens com marcador GILMAR. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador GILMAR. Mostrar todas as postagens

11 de set. de 2013






Por ROBERTO VIEIRA

Cinquenta anos se passaram.
Hoje parece fácil.
Pelé, Coutinho e Gilmar.
Bastava o empate.
Noventa minutos.
O Santos era campeão do mundo.
O Brasil era bicampeão mundial de futebol.
Porém, e talvez por isso mesmo, não foi.
La Bombonera lotada.
O Boca oferecia mundos para uma negra em Buenos Aires.
Boca certo da vitória.
Santos em frangalhos.
Vencera no Maracanã por obra e graça divina.
Não fosse o time do Santos e de todos os cariocas.
O vôo para a Argentina?
Horror.
Vai não vai.
O pedido para adiamento solenemente ignorado pelos Hermanos.
Alberto J. Armando, presidente do Boca.
Ameaçando vencer por W.O.
Fair play?
Orlando e Paulo Valentim vigiados.
Tentativa de Golpe em Brasília.
Paulo Valentim fora.
Oito graus.
Primeiro tempo 0x0.
Dois minutos da etapa final.
Ratin para Sanfilipo: Boca 1x0.
Festa portenha durante exatos cento e dez segundos.
Coutinho empata.
Silêncio.
Gilmar do Santos é neve pura.
Defende dois, três, milhares de chutes.
Pelé dribla Orlando.
Pelé dribla Orlando.
Pelé marca seu 600º gol.
Ou mais ou menos isso – depende do contador.
Santos 2x1.
O Santos era bicampeão da Libertadores.
Fácil?
Uma equipe brasileira só tornou a vencer na Argentina.

Duzentos anos depois.

6 de out. de 2012





Por ROBERTO VIEIRA          




8 de maio de 1954.

Estádio da Ilha do Retiro.

O primeiro confronto entre Náutico e Corinthians. 

Excursão do Corinthians patrocinada pelo Sport.

Comemorações do aniversário rubro-negro.

Muita chuva no Recife.

O público comparecendo em massa ao espetáculo.

Segundo jogo do timão em Pernambuco. 

Estréia dois dias antes contra o América.

Triunfo por 3x0.

Gols de Nardo,Luizinho e Carbone.

Naquela tarde nublada de domingo o Corinthians formou com: 

Gilmar,Murilo e Olavo;

Idario,Goiano e Roberto;

Cláudio,Luisinho,Nardo,Carbone e Simão. 

Muitos deles jogariam meses depois contra o Palmeiras.

Na conquista do Paulistão.

Naquele que seria o inicio de um jejum 23 anos do Corinthians.

O Náutico, terceiro colocado no certame pernambucano.

Alinhou com alguns dos seus jogadores históricos: 

Manuelzinho,Caiçara e Lula; 

Gilberto,Gago e Jaiminho;

Ivanildo,Ivson,Hamilton,Marcos e Zeca. 

A linha defensiva ainda hoje considerada por muitos.

A melhor do futebol pernambucano em todos os tempos.

Logo aos 17’ do primeiro tempo.

Luizinho, aproveitando de cabeça um cruzamento de Cláudio, 

inaugura o marcador. 

Segue-se uma intensa pressão sobre o arco de Gilmar.

Mas somente no segundo tempo em um lance confuso na área.

Ivson empata.

E fica tudo por isso mesmo.

A seguir, um resumo que o  Jornal Pequeno costumava publicar na época:



        Corinthians
          Náutico
Trave
           1
               1
Ataques
          23
              30
Escanteios
           3
              12
Faltas
          15
              20
Off-side
           4
               2
Defesas
          12  
              12
Gols
           1
               1 


O grande destaque da partida, segundo a imprensa pernambucana foi Gilmar.

Goleiro que ainda iria se consagrar no grande Santos de Pelé.

Três dias depois o Corinthians seria derrotado pelo Sport por 2x0.

Corinthians que encerraria sua temporada em Pernambuco com uma sonora goleada.

5x1 sobre o Santa Cruz no dia 16 de maio.

Um jogo que os tricolores preferem esquecer...

25 de ago. de 2012




21 de ago. de 2012






Na mesma foto objetiva.

Castilho.

Barbosa.

Gilmar.

Viajando para o Sulamericano de Lima.

Zezé Moreira sem saber quem escalar.

Botou Castilho.

Depois Gilmar.

Optou por Barbosa.

E retornou pra Castilho.

Numa salada que culminou nas derrotas para Peru e Paraguai.

Detalhe substancial das fotos?

As meias.

Três gênios do futebol.

Que não ganharam nas quatro linhas.

1% do que recebe Cássio no Corinthians...

2 de jun. de 2012





Há cinquenta anos, o Rádio Gilmar fez sucesso.

Tudo para poder ouvir a Copa de 1962.

O VT chegava com dois dias de atraso.

Mas no dia 2 de junho de 1962.

O que não faltou foi rádio quebrado.

Sacudido no chão das casas brasileiras.

Pelé.

O maior jogador do mundo.

Se machucava diante dos tchecos.

Parecia que o bicampeonato tinha ido pras cucuias...



8 de dez. de 2008




Caro Eduardo,

A vida tem dessas coisas.

Um dia a gente é vilão. No outro, herói.

Você não está sozinho nesse barco, Eduardo.

O episódio envolvendo a torcida alvirrubra e sua família é lamentável.

Não tem razão de ser.

Nenhum pedido de desculpa compensa o sofrimento de um filho.

Dito isso, analisemos a situação.

Ontem, você fechou o gol na Vila Belmiro.

Parabéns. Graças a Deus.

Sabe quem foi o goleiro mais famoso a defender o onze da Vila?

Gilmar dos Santos Neves.

O maior goleiro da história do futebol brasileiro.

Goleiro que chegou na Vila, sob pedras da torcida corintiana.

Torcida que esqueceu seu passado no Timão.

E lá foi Gilmar ser herói em Santos.

Os anos passaram.

E os próprios torcedores corintianos reconheceram:

Ele foi o maior goleiro da história do... Corinthians.

A paixão tem dessas coisas, Eduardo.

A paixão cega.

Mas a paixão é universal.

Tem nos Aflitos, na Gávea, no Morumbi.

Em qualquer lugar, você será herói e vilão.

Não acredita em mim?

Sem problema.

Acredite então, naquele senhor de gestos educados e defesas magistrais.

Um tal Gilmar dos Santos Neves.

Muita gente proclama que a melhor defesa é o ataque.

Verdade.

Menos na vida de um goleiro.

Quando te acusarem, recorde:

"Para um goleiro, a melhor defesa é a DEFESA!"

Gilmar



29 de mai. de 2008

















Jose Poy, foto spfc.net

Por ROBERTO VIEIRA


Quando o arqueiro Pablo Miglione do Boca Juniors papou um soberbo peru contra o Fluminense, os mais antigos não puderam segurar o riso.

É que todos conviveram com o mito do goleiro estrangeiro.

Durante o século XX o Brasil conviveu com algumas lendas tidas como verdades. A gente não tinha petróleo, comunista comia criancinha, goleiro bom era goleiro de fora. Então o São Paulo foi buscar Jose Poy. Ídolo nas décadas de 50 e 60 no arco tricolor. O Atlético-MG se socorreu de Mazurkiewicz. O Santos de Pelé importou Cejas. O Bahia trouxe Buttice, que depois rumou para o Corinthians.

O Brasil produzia craques em todas as posições, menos no gol. A exceção era Gilmar. Mas Gilmar era tão calmo que não podia ser brasileiro segundo os críticos.

A Copa de 70 foi o apogeu da crise. Gilmar havia se despedido da canarinha. Félix assumiu seu lugar. Veio o jogo com a Inglaterra. Banks fez milagre na cabeçada de Pelé. Félix fez milagre na cabeçada de Lee. Mas Banks era inglês, jogava de luvas. Félix era nacional e insistia em defender o pão nosso de cada dia de mãos desnudas. Veio o jogo com o Uruguai, Pelé tirou Mazurkiewicz pra dançar, Félix salvou o Brasil de uma prorrogação com uma defesa cinematográfica aos 44’ do segundo tempo. A imprensa elogiou a coreografia do goleiro uruguaio e ignorou o número 1 do Brasil. Cega.

Mas uma coisa deixava os comentaristas com uma pulga atrás da orelha: Por que os estrangeiros não brilhavam tão intensamente no Brasil?

A explicação era simples. Foi dada por Cejas em entrevista quando defendia o Santos. O problema estava nos nossos atacantes. Na Argentina, na Alemanha, na Inglaterra todo mundo só rezava o Pai Nosso. Gol, só de cartilha. Todo goleiro já sabia o que ia acontecer. Aqui, não!

Cejas foi brincar de se adiantar e levou um chapéu de Dirceu Lopes. Saiu pra enfrentar Leivinha e tomou uma caneta. Depois de muita vaia descobriu que no Brasil goleiro era profissão perigosa. Aliás, o próprio Pelé ia destruindo o mito por onde passava. Viktor da Tchecoslováquia quase toma um gol do meio de campo. E o milésimo gol foi comemorado contra o argentino Andrada que esmurrava o chão inconformado. Mito?

De tanto enfrentar os melhores atacantes do mundo, de tanto aprender com os arqueiros que vinham de fora aos milhares, o goleiro brasileiro hoje é o melhor do mundo. Fernando Henrique provou isso contra o Boca. Claro que de vez em quando ainda aparece um órfão do passado. Gente que jura de pés juntos que Oliver Kahn é melhor que Marcos. Máspoli superior à Barbosa. Pato Abbondanzieri mais seguro que Júlio César...

Mas é só da boca pra fora do campo. Dentro das quatro linhas goleiro bom é goleiro Made in Brazil.