Por DURVAL VALENÇA FILHO
Meu Querido Luís
Gestação gemelar complicada. Perdemos um dos bebês. Ficou meu pequeno ‘Pingo’.
Parto prematuro, UTI...
Chegamos em casa.
Uma criança feliz, trelosa e muito brincalhona, como muitas outras.
O tempo passa...
E Luís Felipe não vai falar não?
“É normal. Quando entrar na escola ele deslancha”, diziam todos.
Primeiros dias de aula.
Fui buscar Luís, assim como acontecia com João Vítor.
Ele olhou vagamente para mim e continuou a brincar. Achei estranho.
Nesta mesma semana, minha irmã Adriana, hoje oftalmologista, mas que tinha sido neurologista por dez anos, nos alertou: “Luís Felipe não está com uma interação social normal. Melhor vocês levarem a uma neuro-pediatra”.
Veio o diagnóstico: “Seu filho enquadra-se no quadro de Espectro Autista”.
Primeiro foi o choque!
Como não percebemos nada antes?
Depois do diagnóstico é que fomos juntando as peças do quebra-cabeça.
Um mistura de sentimentos.
Medo, apreensão, insegurança e ao mesmo tempo confiança e força para enfrentar o que viria pela frente.
Começa nossa luta. Minha guerreira esposa Bianca, largou praticamente tudo para dedicação total ao tratamento do nosso filhote.
Troca de escola. Começam as sessões de fono, psicoteratia, terapia ocupacional, equoterapia...
Iniciamos um longo curso de “Hanen” para aprender a lidar e estimular a interação de Luís.
O progresso veio a galope.
Receber o olhar dele nos meus olhos e ouvir “Pai, eu te amo”, foi o melhor presente que já pude receber na vida!
Depois de dois anos nossa amiga e médica Vanessa Van Der Linden, nos chamou para conversar.
“Luis está de alta. Pode parar todas as terapias”.
E nos revela “é o meu primeiro caso de alta em 20 anos”.
Obrigado Tia Vanessa, Tia Natália, Tia Jó, Tia Ana Carla, Tia Geórgia, Tia Sandra e Tia Simone. Obrigado a nossa cuidadora Maria e a todos da família que nos ajudaram na recuperação de Luís Felipe, o meu “Pingo de Luz”.



