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30 de out. de 2012





O América não estava de brincadeira e queria a todo custo se sagrar campeão pernambucano pela primeira vez. Na presidência do clube, o Coronel Seixas decidiu abrir a boca do cofre contratando os profissionais Alex, Bermudes e Peres para fazer companhia ao fenomenal garoto Zé Tasso. Comandando o timaço fora das quatro linhas, isso depois de brigar com os antigos companheiros do Sport Club do Recife, estava ninguém menos que Guilherme de Aquino Fonseca, o rubro-negro que introduziu o futebol em Pernambuco.

A equipe iniciou o certame de 1918 goleando impiedosamente o Náutico: 10 a 1. O resultado não foi obra do acaso. O Flamengo, primeiro campeão pernambucano, apanhou de 3 a 1. O bicampeão Sport foi massacrado por 6 a 1. Pra quem era ligado em futebol, não havia dúvida: 1918 era o ano do América e as vitórias foram se sucedendo, até que ocorreu o inesperado: a Gripe Espanhola. 

O certame ficou paralisado durante três meses - o noticiário fúnebre substituindo as manchetes sobre a guerra, o vírus da gripe atingindo milhões de pessoas em todo o mundo. No dia 27 de novembro de 1918, em pleno sofrimento causado pela Gripe Espanhola, chega ao Recife a notícia do assassinato, no município fluminense de Campo Belo, de Belfort Duarte. O América reúne suas forças e busca dedicar seu primeiro título estadual ao antigo ídolo.

Na volta do campeonato, em dezembro de 1918, um cochilo e o América perde sua invencibilidade diante do Santa Cruz, no dia de Nossa Senhora da Conceição. Porém, uma equipe capaz de marcar quarenta e quatro gols em dez partidas não deixaria o título escapar entre seus dedos, assim sem mais nem menos. Duas semanas depois, show de Zé Tasso marcando seis gols e nova goleada, desta vez sobre o Torre por 10 a 1. Foi a partida que garantiu a posse da taça.

A última contenda contra o Sport, em janeiro de 1919, foi apenas para cumprir tabela. Os rubro-negros haviam importado o uruguaio Pedro Mazullo sonhando estragar a festa americana. Mesmo assim, o América entrou com tudo no campo da Avenida Malaquias, estádio do Leão, para que não restassem dúvidas sobre a melhor equipe.

Torre lança Juju que toca na saída de Franco: América 1 a 0. O Sport reage. Empata. Gol de Lourenço. Sonha com a vitória no intervalo, mas Peres e Zé Tasso marcam na etapa complementar: América 3 x 1 Sport.

Pernambuco tinha um novo campeão e um novo craque.



 




29 de out. de 2012




BELFORT DUARTE

JOÃO & JOÃO  



O João de Barros Foot-Ball Club batia sua bolinha. O América nasceu tempos depois do encontro de João de Barros com João Evangelista.
João Evangelista Belfort Duarte chegou ao Recife no início de agosto de 1915. Recebido com muita festa e animação pelos apaixonados do futebol, Belfort já era mito. Sua defesa da fidalguia na prática desportiva ganhava adeptos por todo o país. A tradução para o português que fizera das regras do futebol era best-seller. O campeonato de juvenis que brotara da sua imaginação, um sucesso.

Hospedado no Hotel do Parque, Belfort segue na companhia do futuro presidente da Liga e dirigente do América, tenente Henrique Lafer, para assistir a partida entre ingleses e brasileiros no Country Club. Animado com a paixão dos pernambucanos pelo futebol, Belfort Duarte prometeu que o América-RJ – campeão carioca de 1913 com Belfort Duarte na zaga - visitaria nosso estado em breve. De quebra, apitou o jogo Torre x João de Barros pelo campeonato pernambucano.

Ao término da peleja, Belfort Duarte recebe convite para a assembleia geral do dia 22 de agosto na sede do João de Barros Futebol Clube. Chegando ao clube, Belfort Duarte teve duas surpresas: foi proclamado ‘Capitão Honorário’ da entidade e o João de Barros Foot-Ball Club passava a se chamar América Futebol Clube.