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8 de mar. de 2013






Em novembro de 1920.

Já havia clássicos entre França e Inglaterra no futebol feminino.

E cobrando entradas, Mestres!

Profissionais...





Isso na velha Albion.

No Brasil, nem de armadura...

29 de jan. de 2013







José Tasso foi o primeiro fora-de-série do futebol pernambucano. Artilheiro do certame de 1918 com dezoito gols, a falta de registros sobre grande parte dos jogos na infância do nosso futebol nos impede de informar quantas vezes ele balançou as redes adversárias. Com certeza mais de cem gols em certames estaduais, o que torna José Tasso dos maiores goleadores em nossa história, principalmente quando sabemos que se jogava muito menos naqueles tempos romanticos.

Porém, José Tasso foi muito mais que um simples artilheiro. Sua presença brilha espetacularmente em todos os cinco primeiro títulos estaduais do América. Em 1918, lá está Tasso balançando as redes do Sport na última partida do campeonato, fato que se repete no ano seguinte diante do Torre. Tasso também estufa as redes do Leão na abertura do estadual de 1920, mas não pode comemorar o tricampeonato, pois o clube briga com a Liga e se afasta até 1921.

Pois em 1921, José Tasso volta endiabrado. Jogando até mesmo de zagueiro contra o Varzeano, sua garra e genialidade devolvem o cetro de melhor equipe pernambucana ao grêmio esmeraldino. No ano seguinte, sua marca está estampada nos barbantes do Peres e na resistência heroica diante dos desesperados rubro-negros no famoso Jogo dos Oito Minutos.

Quatro vezes campeão. 

Marcas do tempo em centenas de pontapés adversários. 

José Tasso quer se despedir em alto estilo e consegue. 

Marcando um tento no jogo final do campeonato de 1927 - vitória de 2 a 1 sobre o Torre de Valença, Hermínio e Juquinha.

Pentacampeão. 

Glória alviverde. 

José Tasso é o grande símbolo do esquadrão Campeão do Centenário.


3 de nov. de 2012





Quando o América chegou ao Recife, o carnaval explodiu. A saga dos rapazes da Rua da Conceição ultrapassara fronteiras. Telegramas de felicitação partem de todo o Brasil – para delírio de alguns e inveja de muitos. Nos subterrâneos do futebol algo deveria ser feito para destruir aquele time imbatível, o melhor que Pernambuco já conhecera.

A última esperança de conseguir dobrar o América legitimamente foi pro espaço no dia 4 de abril de 1920. Era a estreia do grêmio alviverde no estadual diante do Sport Club do Recife. O Sport marcou um tento através de Benedito. E foi só. Reforçado pelo artilheiro Zé Tasso que fez questão de deixar sua marca nas redes de Franco, o América brincou de jogar bola, goleando por 4 a 1 – os outros gols foram dos irmãos Perez.

No jogo seguinte, outra goleada, desta vez sobre o Náutico de Barbosa Lima Sobrinho: 4 a 1. Em campo não era possível. Entrou na jogada o extra-campo.

Brigas e mais brigas na Liga. Botou-se pra fora João Duarte Dias, presidente interino da entidade na ausência de Costa Lima. O argumento é que João Duarte era a favor do profissionalismo. Com a faca e o queijo na mão, os dirigentes esperaram o jogo entre América e Santa Cruz com arbitragem do Sr. João Elias Bernardes. Parecia um replay do primeiro jogo entre Remo e América no mês de fevereiro. O América marcou duas vezes. O juiz anulou os dois gols. O Santa Cruz marcou num lance duvidoso. O árbitro correu pro meio de campo.

Era demais. A pressão explodiu nas agressões verbais e empurrões de Bermudes, Alex e dos irmãos Perez ao árbitro. Perez I pegou seis meses de suspensão. Os demais, três meses. O campeão do Norte era desfigurado fora das quatro linhas.

No dia 25 de julho, o América se desfiliou da Liga, dizendo adeus ao sonho do tricampeonato. 

2 de nov. de 2012






O ano de 1920 começou com muito futebol. No dia 2 de janeiro, jornais anunciavam a disputa de duas exóticas taças no primeiro domingo do ano. Em pleno Estádio da Avenida Malaquias se daria o sensacional match entre os dois bicampeões do estado: América e Sport. O que pegava, porém, era o nome das taças em disputa: Desengano e Desilusão. Felizmente, o Sport desistiu da disputa de última hora e o América jogou contra o Santa Cruz um simples amistoso – sem direito a taça nem baixo astral.

Como nem só de estadual vive o homem, a novidade era a viagem do América para Belém do Pará a convite do Clube do Remo. No ano anterior, os rubro-negros haviam feito excursão vitoriosa contra os paraenses, retornando com o antológico troféu do Leão do Norte. Agora era chegada a vez do América.
O arqueiro Ilo Just do Santa Cruz liderava a disputa no Jornal Pequeno sobre qual era o melhor goal-keeper da cidade. Em seguida, apareciam Franco do Sport, o alvirrubro Euclides e Salgado do América. Ilo Just viria a ser campeão pelo América em 1927, mas não vamos nos adiantar aos fatos.

No dia 3 de janeiro, sábado, assume a LPTD (Liga Pernambucana dos Desportos terrestres), o Dr. João Reynaldo da Costa Lima, desportista e alvirrubro dos quatro costados. A vice-presidência ficava por conta de João Duarte Dias, dirigente do C.S. Peres; o América se fazendo representar com o segundo secretario, Manoel Ansberto Lopes.

O ambiente de calma era cortina de fumaça. O bicampeonato do América insuflara os ânimos de Barbosa Lima Sobrinho, dirigente e antigo remador alvirrubro, adepto do amadorismo radical. Desporto para o futuro governador de Pernambuco era lugar onde dinheiro não devia entrar. As ideias de Sobrinho ganharam adeptos nos círculos desportivos locais, embora muita dessa adesão tenha sido por motivos bem diversos: o medo do tricampeonato do América. Como o clube do coronel Seixas estava de partida para a excursão ao Norte, parte do antagonismo ficou latente, aguardando a provável derrota do clube esmeraldino. Afinal de contas, o América viajava sem três titulares, entre eles o formidável Zé Tasso.

No dia 21 de janeiro de 1920, a delegação do América deixa em comitiva a sede do clube na Rua da Conceição rumo ao cais da Rio Branco. A bordo do paquete Ceará, a delegação do bicampeão estadual viaja com a bandeira verde e branco na proa. Após breve passagem por Fortaleza, a delegação é recebida no Maranhão pelo governador Urbano Santos. Um amistoso é disputado contra o Luso Sport Club com vitória pernambucana por 4 a 2. Logo após a pugna, banquete para oitenta talheres é oferecido pelo Luso aos seus adversários.

No dia 29 de janeiro, o América é recebido com festa em Belém. Pequeno descanso, no dia 1° de fevereiro, a primeira batalha, duelo no gramado encharcado contra o selecionado paraense formado pelos craques do Remo, Payssandu, Brasil e Manaus. O América escalou Nhozinho; Alexi e Ayres; Rômulo, Bermudes e Siza; Lapa, Perez, Juju, Salermo e Felipe. Já os paraenses alinharam Francelisio; Lulu e Mamede; Guimarães, Bordallo e Suisso; Ludgard, Viroxa, Leôncio, Mimi e Arthur.

A arbitragem do Sr. Gastão Bittencourt anula um gol logo de cara do América. Juju numa arrancada espetacular mandou a pelota para as redes de França e já comemorava quando percebeu que o juiz vira irregularidade no lance. Os paraenses então pressionam, descobrindo a genialidade de Nhozinho, substituto do formidável Salgado. Nhozinho defendeu tudo, menos um chute de Leôncio. A vantagem dos donos da casa foi passageira. Esqueceram de avisar ao selecionado paraense que o América tinha canhão na cancha. Bermudes acertou tirombaço do meio campo deixando atordoado todo o Grão-Pará.

O resultado de 1 a 1 foi recebido com festa, tanto na sede do América como no Bar Brasileiro, reduto da torcida paraense em Recife, local onde foi entoado por toda a noite o hino do futuro adversário esmeraldino – sinal das batalhas por vir.

No meio da festa, chega a Belém notícia do falecimento do pai do zagueiro Ayres Valente. O coronel Seixas envia telegrama informando a comitiva. Ayres chora inconsolável e retorna ao Recife deixando a embaixada pernambucana de luto.

O jogo seguinte do América é diante do Combinado Remo-Brasil, no campo do Remo, no dia 5 de fevereiro. Salermo acamado é substituído por Gastão. Recife aguarda ansiosamente a notícia do resultado. Nove horas da noite e um telegrama é afixado na sede do América;

Vencemos jogo Brasil-Remo 1 a 0. Embate renhidíssimo!”

Um rico troféu, oferecido pelo City Bank com sede na capital paraense, é conquistado pelo América. Recife embarca numa festa inesquecível. Com exceção de alguns cartolas adversários achavando que a festa americana estava indo longe demais.

Mas havia o poderoso Clube do Remo, equipe tradicional, campeã do Torneio do Centenário da Revolução de 1817 disputado em Pernambuco. Lulu e Bordallo eram remanescentes daquele time que deslumbrou Recife ao vencer a seleção pernambucana por 4 a 2 e 3 a 2. O América lembrava bem do Remo. América que fora derrotado por 2 a 0 em 1917.

Falar que o match do dia 8 de fevereiro foi uma guerra é pouco. O Remo buscava retomar o título de campeão do Norte que vira escapar entre os dedos no ano anterior, dentro de casa, diante do Sport. O América parecia vítima certa – desfalcado de quatro titulares e sem reforço de nenhum outro time pernambucano. Outro aperitivo especial era a invencibilidade do América. Ao contrário do Sport que fora derrotado duas vezes em 1919, o América se recusava a perder.

Ânimos a flor da pele, estádio lotado, a arbitragem foi oferecida ao Sr. Eurico Viveiros de Castro, ex-vice presidente do Remo, capitão-tenente da canhoneira Aere, filho de Viveiros de Castro, juiz do Supremo Tribunal Federal e genro de Lauro Sodré, governador do Pará. O América assinalou três gols. O árbitro Viveiros de Castro anulou todos eles. Não satisfeito, marcou um pênalti para o Remo.. e o América se retirou de campo sob pedradas.

O episódio explodiu como bomba nos meios desportivos brasileiros. A diretoria do América ordenou retorno imediato dos seus comandados. Bermudes foi o mais hostilizado pois também participara das batalhas entre Remo e Sport no ano anterior, emprestado pelo América. Sem internet, telegramas foram enviados ao sul do país denunciando os paraenses. Paraenses que se desculparam marcando duas novas partidas contra os pernambucanos. Ambas disputadas em clima de amizade e bom futebol.

O primeiro jogo foi diante do Payssandu, arquirrival do Remo, clube que goleara o Sport em 1919 por 4 a 0. Uma parada pra lá de indigesta. O Payssandu marcou primeiro. O Payssandu aumentou. A torcida ainda comemorava quando o América acordou em campo. O argentino Salermo chamou o jogo pra si, balançou o barbante e virou o jogo com a ajuda de mais dois tentos de Perez. O América vencia o Payssandu por 3 a 2 sob aplausos da torcida paraense.

Era chegada a hora da revanche contra o Remo. Em jogo, a Taça Joaquim Inácio. O Remo descansado. O América extenuado. O Remo invicto no futebol desde sua fundação diante de clubes de fora do estado. Campo do Remo saindo gente pelo ladrão. Desta vez a arbitragem é entregue ao então Tenente Benjamin Sodré, o conhecido Mimi Sodré, ídolo e símbolo do Botafogo-RJ e um dos fundadores do escotismo brasileiro.

MIMI SODRÉ


O Remo larga na frente com Dudu. Desfalcado de vários titulares, o América luta desesperadamente contra o resultado adverso. Intervalo. Festa dos paraenses. Segundo tempo. Pênalti cometido por Formigão para o América. Ayres manda a bomba e Francelisio nem vê ela passar. O empate já é um grande resultado. Mas Lapinha joga a melhor partida de sua vida; Salermo, Felipe e Juju tabelam enlouquecendo a defesa do Remo. A bola sobra nos pés de Rômulo que lança Perez na corrida. O chute sai seco. Indefensável. 2 a 1!

O América Futebol Clube é o Campeão do Norte!

A torcida paraense fica de pé e aplaude os adversários.