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1 de mai. de 2013

O ESTADUAL DE ASTERIX*


Por ROBERTO VIEIRA         



Falar em estadual pernambucano é balela.

Estadual pernambucano tem uns 50 anos.

Nenhum time do interior foi campeão.

Nunca deixaram.

O Central tentou em 1937.

Poderoso Central que foi obrigado a jogar todos os jogos... na capital.

O que existe é um triangular em Recife.

Então, defender estadual é defender um triangular.

Pois é.

O tal triangular recifense sempre foi charmoso.

Ao contrário de congêneres que foram perdendo a força com o tempo.

Mercê da globalização.

Mercê da bagunça das federações.

Mercê dos conchavos e 'todos com a nota' para multiplicação dos pães.

Certame pernambucano com doze equipes?

Primeiro turno que não vale nada?

Ampliação para quatorze times?

Campos sem grama, sem vestiários, sem bandeirinha de escanteio?

 Façam-me o favor!

Poderia existir um torneio com os três grandes e o campeão do interior.

Ou quem sabe... no máximo.

Três grandes e três melhores classificados do interior.

Turno e returno.

Dez jogos.

Fim de papo se alguém faturasse turno e returno.

Melhor de três em caso de dois campeões.

Falo isso de coração na mão.

Entretanto.

Manter um grande clube na realidade atual sai caro.

Uma equipe pode ser bi, tri, penta, hexacampeã estadual e não ter dinheiro pra pagar a Celpe.

Depender de ajuda governamental pra reformar o estádio.

Depender de ajuda da FPF pra pagar a folha.

Achando que está tudo muito bom, muito bem.

Não está.

Um clube de futebol deve andar com seus próprios pés.

Federação é pra organizar tabela - e olhe lá com esse regulamento de 2008 e 2013.

Governo é pra cuidar de escola e hospital.

Muito se fala sobre o Hexa do Náutico dos anos 60.

Besteira.

O Hexa foi legal.

Mas o principal foi disputar quatro semifinais de Taça Brasil.

Encaçapar o Palmeiras em 1965.

O Santos no Pacaembu em 1966.

Cruzeiro e Atlético-MG em 1967.

Sonhar com Libertadores em 1968.

Quando o sonho ficou caro e virou pesadelo pois 'futebol depende de grana'.

E a grana foi desaparecendo dos Aflitos.

Hegemonia tem seu preço, bicho!

O futebol pernambucano vive numa ilha da fantasia.

Ilha abandonada por gaúchos e mineiros nos anos 70.

(Falo isso para Náutico, Santa Cruz e Sport)

Um dia a gente tem de sair de casa.

Botar o pé na estrada.

Tentar ser grande na cidade grande.

Muito torcedor chora o leite derramado no estadual.

Estadual que não é estadual.

Pelo gozo precoce de zoar com o vizinho.

Torcedor está no seu direito.

Só que planilha de custo é redigida em milhões.

Centro de Treinamento de primeiro mundo.

Arena multiuso.

Base forte e bem cuidada.

Marketing agressivo e multinacional.

Vitórias sobre quem manda neste país valem ouro!

Muito mais ouro do que a falida Potosí da Mauricéia.

Repito.

Como torcedor, cultivo vevete e comeu morreu.

Como apaixonado por meu clube,

cultivo o céu.

Porque... ironia e paradoxo desta vida.

Os clássicos de nossa aldeia gaulesa.

Último reduto a resistir aos romanos.

Ficam mais belos.

Quando se tornarem clássicos universais...


* Pra quem imagina que o papo é pós-estadual, defendi estas ideias em entrevista ao Mestre André Luís Cabral em entrevista no início deste ano... 

10 comentários:

  1. Como somos atuais campeões da Copa Brasil já faz 4 anos conquistamos o mundial no Japão deveríamos colocar o Náutico B para disputar o Pernambuquinho. Damos essa chance aos coirmãos.
    Abs.Chico Avelar

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    1. Caro Chico,nem tanto,nem tampouco.Esses títulos a que você se refere não dependem de conquistas de estaduais.Você lembra de algum título estadual do São Paulo? Acho que nem os torcedores deles lembram.Mas dos mundiais e libertadores até nós sabemos quando aconteceram.Os mineiros e gaúchos(citados no texto de Roberto) deixaram suas aldeias na tentativa de se tornarem grandes,investindo pesado no campeonato brasileiro,em detrimento dos estaduais.E conseguiram.O Juventude e o América-MG chegaram até a ganhar alguma coisa,mas longe da série A estarão fadados ao ostracismo.Precisamos crescer,gradativamente,com consistência.Sei o quanto você gosta do Náutico e de sua luta contra os erros administrativos observados ao longo dos últimos anos no clube.Mas há de se admitir que avanços ocorreram e,como diria um alvirrubro presidenciável,é possível fazer mais...
      Carlos Leite.

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  2. Concordo com o texto de Roberto.Preciso e condizente com o atual padrão do futebol mundial.Mas,apesar de todas as mazelas associadas aos estaduais,entendo que a irritação de muitos alvirrubros dá-se pela perda de títulos mesmo quando tivemos times melhores,pela falta de gana e pelo discurso dúbio dos dirigentes.
    Carlos Leite.

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  3. Carlos,
    Essas questões apontadas não estão dissociadas. Não podemos crescer justificando as derrotas em função dessas escolhas. Não podemos dar o salto que você se refere antes de nos afirmarmos em nossa aldeia. O processo de crescimento é completamente interligado. Conquistas, boas administrações, participação, controles que impossibilite “deslizes” pessoais, publicidade aos assuntos de interesses da coletividade. O Náutico cresceu em relação a ele mesmo. Somos mais estruturados que na década de 90, porém nossos concorrentes também cresceram. Não podemos nos calar e ouvir de uma gestão em pleno Conselho Deliberativo que nosso produto é ruim e difícil de vender. Ouvir que nosso concorrente local tem mais títulos e com isso pode vender melhor sua marca. É a mesmo coisa que Pepsi dizer que não é líder por que a Coca Cola é melhor. O campeão pode ser Náutico sim. O pior disso tudo é justificar os fracassos por motivos ocultos e poderes sobrenaturais. Carlos, o Náutico é muito grande, só em sobreviver a esse contexto vemos a grandeza desse clube. Quem dera todos os nossos problemas fossem fruto da vaidade e dos erros de abnegados como apregoam...

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  4. Carlos,
    Essas questões apontadas não estão dissociadas. Não podemos crescer justificando as derrotas em função dessas escolhas. Não podemos dar o salto que você se refere antes de nos afirmarmos em nossa aldeia. O processo de crescimento é completamente interligado. Conquistas, boas administrações, participação, controles que impossibilite “deslizes” pessoais, publicidade aos assuntos de interesses da coletividade. O Náutico cresceu em relação a ele mesmo. Somos mais estruturados que na década de 90, porém nossos concorrentes também cresceram. Não podemos nos calar e ouvir de uma gestão em pleno Conselho Deliberativo que nosso produto é ruim e difícil de vender. Ouvir que nosso concorrente local tem mais títulos e com isso pode vender melhor sua marca. É a mesmo coisa que Pepsi dizer que não é líder por que a Coca Cola é melhor. O campeão pode ser Náutico sim. O pior disso tudo é justificar os fracassos por motivos ocultos e poderes sobrenaturais. Carlos, o Náutico é muito grande, só em sobreviver a esse contexto vemos a grandeza desse clube. Quem dera todos os nossos problemas fossem fruto da vaidade e dos erros de abnegados como apregoam... Chico Avelar

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  5. O que quero dizer é que de nada adiantaria ser muitas vezes campeão estadual,se meu clube se mantivesse na série C ou B.Mais importante que ser campeão pernambucano é ter uma administração decente e transparente.Logicamente,se pudermos melhorar administrativamente o clube,disputando por longos anos a série A e ganhando de lambuja o PE,seria o ideal.
    Carlos Leite.

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  6. Exatamente Carlos. Outra observação é que perdemos a vaga para um clube com orçamento 5 vezes menor. Essa foi sempre a desculpa para perdermos para o Sport. Chico Avelar

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    1. Ulisses Braga Neto2 de maio de 2013 às 00:09

      Sem querer comparar, mas o sport perdeu duas finais seguidas para esse mesmo time. Orcamento nao eh tudo. Assisti ao jogo do Santa Cruz contra o Internacional pela internet, e o time tricolor envolveu o milionario Inter em varios momentos da partida, e poderia sair com a vitoria facilmente. Eles estao jogando com "sangue nos olhos". Isso faltou ao Nautico.

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  7. Certamente Ulisses, orçamento não é tudo. Futebol é tão complexo quanto qualquer grande negócio. Com certeza com pitadas a mais de emoção e paixão. Nem sempre um time consegue jogar com sangue nos olhos, quando falta esse fator, entram outros como organização, planejamento, torcida, e até leitura prévia do regulamento, tanto no aceite quanto no entendimento durante o certame. Derrotas virão, porém quando existe a certeza de que foi feito o melhor, crescemos como instituição até nos momentos adversos.Chico Avelar

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  8. Cansei e parei de discutir esse assunto. O Ulisses experimentou a incompreensão de muitos por defender, lá no Facebook, o lógico. O mesmo que o Roberto escreve tão bem aqui. Não adianta. É impressionante como se tem dificuldade em entender o que está escrito e aceitar. É tão absurda a deturpação das idéias que Imagino seja proposital para dar o gancho para aquilo que se deseja propagar. Colocam frases na nossa boca que nunca dissemos ou sequer insinuamos. Essa corda eu não engulo. E escrevo sem medo, a torcida de vários "alvirrubros" é grande pelo insucesso esse ano. Esse filme já vimos, com o Brasil como protagonista, uma década atrás.

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Comentários