5 de jun de 2016



Jarbas Passarinho já dava seus vôos bem altos.

Desde o AI-5 quando mandou às favas muita coisa em sua biografia.

Homem culto.

Didático.

Decerto não tinha noção em dezembro de 1968 que escrevia seu epitáfio.

Ele e muita gente sentada na mesa com Costa e Silva.

Dois anos depois, Passarinho recebeu Saldanha no gabinete.

Ouviu queixas e denuncias sobre os desmandos do futebol brasileiro.

Mas tudo era fogo de palha.

Saldanha aceitara o jogo do Governo Militar.

E depois se embananou num jogo de cachorro grande.

A conquista do Tri sepultou as denuncias.

Passarinho ficou famoso com Médici e Havelange.

Zagalo virou herói.

O resto é história - ainda deu tempo de ser ministro de Collor.

Jarbas passarinho, homem didático.

Bom pai e esposo.

Cinco filhos.

Um coronel boa praça.

Passarinho disse adeus pra nunca mais.

Coisas da vida e das ditaduras.

Ele sempre será lembrado por uma frase absurda, estúpida.

Pela falta de escrúpulos e consciência.

Por um momento de sinceridade imperdoável pra quem gostava tanto dos livros de história.

Por um momento em que o gravador estava ligado.

Tão ligado como nesses tempos de redes sociais.

Passarinho cantou demais fora da gaiola.




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